sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Aula 4: Planejar – esquema de redação para concurso, do tipo dissertativo-argumentativa.

J Difícil escrever bem se não há um roteiro. Ele determina a estrutura e o conteúdo do texto e, sem ele, sua redação corre o risco de virar uma embolada sem sentido ou uma discussão que não sai do lugar.

Veja um exemplo de planejamento:

TEMA: A cobertura de casos violentos pela mídia televisiva.

PALAVRAS-CHAVE: televisão e violência. (assunto)

TESE ou PRESSUPOSTO: A televisão banaliza a violência ao transmitir casos de maneira sensacionalista e irresponsável.

ARGUMENTO 1:

Idéia principal: Expor casos violentos como se fossem histórias de ficção policial, com excesso de técnicas narrativas, é fazê-lo de maneira sensacionalista, tornando a violência um espetáculo público. (tópico frasal)

Idéias secundárias: Exemplos como o programa de TV Linha Direta. Casos como o assassinato da adolescente Eloá Pimentel e o seqüestro do Ônibus 174. Potencialização do comportamento agressivo do público, que vê o malfeitor como uma espécie de astro de um seriado policial.

ARGUMENTO 2:

Idéia principal: A mídia televisiva também erra ao colocar-se como júri, acusando ou defendendo suspeitos de modo precipitado e irresponsável. (tópico frasal)

Idéias secundárias: Caso da Escola Base. Os veículos de comunicação social têm plena liberdade de informação jornalística, porém, ao julgar acusados como culpados ou inocentes, a TV ultrapassa limites e mostra-se antiética.

CONCLUSÃO: As emissoras de TV devem ser testemunhas da violência real que ameaça a todos nós, porém de maneira ética e comprometida, respeitando os direitos humanos.

J Elaborado o planejamento, você já tem um bom esqueleto da redação! Mas lembre-se: isso é um planejamento e, como tal, pode ser modificado de acordo com suas necessidades e seus objetivos.

O direcionamento do tema é sempre produto de uma escolha. Pense de antemão que caminho você pretende tomar, para onde quer conduzir sua argumentação. Para isso, é preciso ter uma posição definida em relação ao assunto, criar uma tese (ou pressuposto) a partir da qual você vai encaminhá-lo, a fim de deixar bem claro seu ponto de vista.

Um bom planejamento é fundamental para a produção de um texto eficiente! Por isso, treine! Tenha idéias antes de escrever. Pensar vem sempre antes de escrever.

Determinação da tese

Encontre as palavras-chave do tema: qual é o assunto abordado? Formule mentalmente um pensamento sobre o assunto antes de começar o trabalho de redação propriamente dito. Esse pensamento chegará a partir das análises que você fará da realidade que o cerca, dos seus valores, do modo como enxerga e relaciona os fatos, do seu conhecimento de mundo. Sendo assim, escrever uma tese eficiente só dependerá de você.

A tese tem que ser expressa com clareza e dar margem a questionamentos. Ela é uma espécie de “idéia fixa” que o acompanhará do princípio ao fim do texto. Se você parte de uma tese fraca, que não suscite questões, sua redação dificilmente terá qualidade.

Detecção de argumentos

Pergunte por quê? ou como? à sua tese. As respostas serão seus argumentos, e cada uma delas servirá de base para a construção dos parágrafos.

Nossa capacidade de convencer o leitor depende da ordenação e da força de nossos argumentos. As melhores idéias se perdem se usarmos argumentos fracos ou se não soubermos ligá-los. O encaminhamento do texto, fundado nos argumentos, revela ao mesmo tempo nossa capacidade de criação, avaliação e crítica. Nosso discurso deve passar ao leitor determinados questionamentos, observações e conclusões sobre o tema.

Sustentação de argumentos

1. Argumentos de valor universal: aqueles que dão pouca ou nenhuma margem à refutação. Por exemplo: Sem resolver os problemas da família não se resolvem os das crianças de rua. Evite afirmações baseadas em emoções, sentimentos, preconceitos, crenças (especialmente as religiosas), porque são argumentos muito pessoais. Podem convencer algumas pessoas, mas não todas.

2. Dados colhidos na realidade: as informações têm de ser exatas e de conhecimento geral. Tornam-se mais confiáveis quando você expõe a fonte. Por exemplo: De acordo com pesquisas do IBGE, (...); Foi recentemente matéria de capa da revista Veja um caso (...).

3. Citações de autoridades: Ler revistas e jornais ajuda muito. Lembre-se: o povo não é autoridade! Então, só use ditados populares se tiver experiência na escrita e souber bem como fazê-lo. Ditados populares não servem como argumento! Tenha cuidado também com a confusão entre autores de frases célebres. Se há dúvida sobre o autor, prefira algo do tipo: “Só sei que nada sei” — nos ensina a antiga máxima filosófica.

4. Exemplos e ilustrações: Recorra a exemplos conhecidos, a fatos que ilustrem.

Exemplo de esquema (I)

Veja o processo de construção de um planejamento:

TEMA: A imprensa e a denúncia dos casos de corrupção.

PALAVRAS-CHAVE: imprensa e corrupção.

Pensando sobre o tema, lembramos os noticiários dos jornais, da TV e do rádio sobre corrupção. Após muito refletir, chegamos à conclusão de que não estava havendo muita seriedade por parte da imprensa em suas denúncias, pois nem todas eram comprovadas. Muitas pareciam brincadeira porque, com o tempo, ninguém era capaz de trazer provas concretas que incriminassem as pessoas envolvidas. A partir daí, chegamos a uma tese:

TESE: A imprensa não pode ser leviana quando denuncia casos de corrupção.

Façamos a pergunta à tese:

Por que a imprensa não pode ser leviana quando denuncia casos de corrupção?

As respostas serão os argumentos:

Porque...

ARG. 1: A denúncia da imprensa é o instrumento mais importante de que dispõe a democracia para combater a corrupção e saber o que acontece por trás dos bastidores.

ARG. 2: A sociedade precisa ter acesso a fatos que convençam.

ARG. 3: A corrupção não pode tornar-se mais uma distração para os brasileiros.

Com uma conjunção conclusiva após cada um dos argumentos, retomamos no parágrafo conclusivo o que dissemos no inicial, amarrando o texto.

Por isso...

CONCLUSÃO: A imprensa deve apresentar a denúncia com o máximo possível de provas.

J Nesse esquema, nada está fora do lugar, pois todas as suas partes ordenam-se com perfeição. Os argumentos convencem e a conclusão a que chegamos está bem ajustada a eles. Esse esquema pode ser estendido à construção argumentativa de qualquer texto. O que pode variar é o número de argumentos.

Exemplo de esquema (II)

TEMA: A miséria.

TESE: É constrangedora a convivência com a miséria.

ARGUMENTO: Ninguém em sã consciência gosta de ver seus semelhantes vivendo precariamente.

CONCLUSÃO: A sociedade deve ser menos passiva diante da miséria.

PRESSUPOSTO


ARGUMENTO 1 + ARGUMENTO 2 + ARGUMENTO 3


CONCLUSÃO

Proposta de redação: Cobertura televisiva de fatos violentos.

PROPOSTA PARA DISSERTAÇÃO

1. Leia com atenção e confronte os textos seguintes:

Texto I

Há programas de TV que se dedicam de modo especial à cobertura jornalística de fatos violentos. Em transmissão direta, tais reportagens fazem o que podem para flagrar todos os detalhes da ação dos criminosos, do comportamento das vítimas, da operação policial, das expectativas dos curiosos que a tudo acompanham. Com isso, alimentam a violência, tornando-a um espetáculo público e fazendo do malfeitor uma espécie de astro de seriado policial – o que só incentiva o surgimento de novas ações criminosas.

Texto II

Os que censuram as transmissões ao vivo de ocorrências policiais, a que não faltam ingredientes violentos ou mesmo trágicos, parecem responsabilizar a cobertura jornalística pela violência que ela está apenas documentando. A obrigação das emissoras de TV é mostrar o que ocorre, informar os cidadãos, testemunhar a violência real que nos ameaça a todos. O combate a essa violência é da alçada das autoridades policiais, e não dos meios de comunicação de massa.

2. Tendo em vista as posições assumidas nos textos I e II, desenvolva uma DISSERTAÇÃO em prosa, discutindo, com argumentos, a divergência entre eles.

3. Sua redação deverá ter no mínimo 20 e no máximo 30 linhas, considerando-se letra de tamanho

regular.

(Universidade Federal de Sergipe, Processo Seletivo 2009)


Essa é uma proposta de tema para o processo seletivo da UFSE. Conforme vimos em nossas aulas, antes de escrever é preciso planejar. Então, o nosso primeiro exercício será o de criar um planejamento adequado ao posterior desenvolvimento desse tema. Utilize o esquema abaixo e mãos à obra! J

TESE:

___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

ARGUMENTO 1:

___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

ARGUMENTO 2:

___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

ARGUMENTO 3 ou CONTRA-ARGUMENTO: (opcional)

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CONCLUSÃO:

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Aula 3: Passos para construir sua redação.

Há um processo na construção de um texto. Não é apenas sentar na cadeira, pegar a caneta e despejar palavras no papel, como se elas viessem de uma entidade sobrenatural!

A não ser que você tenha o mesmo dom de Chico Xavier, planeje seu texto! Até os escritores mais experientes planejam o que irão escrever. Conheça o que Graciliano Ramos (autor de obras primas da literatura brasileira como “Vidas Secas”, por exemplo) disse sobre o ato de escrever:

Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.

Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.

Passo 1: PLANEJAR

Antes de pôr o lápis no papel, pense. Leia atentamente a proposta e a coletânea. Grife ideias e palavras-chave: não fuja delas em nenhum momento. Verifique se a o tema vem explícito, se apresenta perguntas a serem respondidas, para que direção os textos de apoio o encaminham. A banca do Cespe costuma direcionar a redação, dizendo quais os tipos de enfoques que o candidato deve seguir. Isso é muito bom, pois se torna possível estruturar uma argumentação com cada um daqueles tópicos.

Entendido o tema, faça anotações soltas, independentes. Liste as ideias que lhe vêm à mente sobre o tema: filmes a que você assistiu, livros que você leu, fatos que tiveram destaque na mídia, eventos históricos etc. Então corte e ordene. Selecione entre as ideias que teve quais irão compor sua argumentação.

Agora encaixe o que foi selecionado na triagem inicial dentro deste esquema:

Introdução

Contexto (tema) + tese + seu ponto de vista.

Desenvolvimento

Argumentos (2 ou 3) que respondem ao POR QUÊ? e ao COMO? feitos à sua tese.

Conclusão

Retomada do pretexto inicial. Não é repetição.

Tem que saber o que quer dizer ao leitor. Tem que construir uma tese. Tem que fazer perguntas e encontrar respostas. Tem que organizar as respostas. Tem que determinar os parágrafos. E então é só começar a escrever.

Atenção: Essa tabela é um guia, não uma prisão!

Passo 2: ESCREVER

Só então a caneta chega ao papel. Siga o seu planejamento.

Passo 3: REVISAR

Revisar não é passar a limpo, é reescrever. Esse trabalho começa pela detecção do que há para ser refeito, trocado ou reordenado a fim de que o texto inicial melhore.

J Os passos 2 e 3 — ESCREVER e REVISAR — serão abordados detalhadamente nas próximas apostilas.


¨ Quer saber mais?

www.algosobre.com.br/redacao

Caderno de dicas elaborado pelo professor de redação Márcio André.

Aula 2: Critérios de Avaliação da Fundação Carlos Chagas (FCC).

Podemos afirmar que os critérios de avaliação de uma redação para vestibular/concurso são basicamente os mesmos. Há poucas variações de acordo com a banca examinadora de cada instituição.

A Fundação Carlos Chagas — que realiza o processo seletivo da UFSE —, por exemplo, expõe claramente no edital seus parâmetros de correção para uma prova discursiva. Já na correção da prova, opta por informações vagas sobre as falhas cometidas pelo candidato. Seus avaliadores, em alguns casos, restringem-se a comentar com certo tecnicismo e pouca informação o porquê das punições de cinco em cinco (pontos) num total de 100.

TEMA: Normalmente ela gosta de pequenas frases ou trechos de textos, em geral, filosóficos. Costuma apresentar situações abstratas, relacionadas intimamente com a condição humana. Ética, cidadania, justiça, vaidade e ambição, por exemplo, já motivaram diversos temas da banca.

TAMANHO DO TEXTO: entre 20 e 30 linhas.

DIVISÃO DOS PONTOS ATRIBUÍDOS: um total de 100 pontos que são divididos em duas áreas:

Estrutura e conteúdo: 50 pontos;

Expressão: 50 pontos.

Os pontos recaem igualmente sobre o conteúdo e a estrutura gramatical do texto. Então, tenha cuidado com os pequenos deslizes gramaticais — eles podem significar perdas graves na pontuação. Revise com calma o seu texto.

Estrutura e Conteúdo (Macroestrutura textual)

Como o candidato abordou o tema.

O domínio dos modos textuais – dissertação, narração e descrição.

Organização de parágrafos, distribuição de assuntos, ordem direta dos períodos, a legibilidade do texto, o tamanho dos parágrafos, margens etc.

Expressão (Microestrutura textual)

Correção de aspectos pertinentes à adequação vocabular e à gramática – concordância, regência, colocação pronominal, pontuação, grafia etc.

Para o vestibular da UFSE, há especificamente a seguinte tábua de correção, além de uma pequena lista dos problemas encontrados com mais freqüência:

COESÃO (3,0)

Encadeamento sintático (entre frases e entre parágrafos)

Encadeamento semântico (idem)

ü Uso adequado dos conectivos

ü Paralelismo

Problemas encontrados com mais freqüência

Períodos longos (faça frases com cerca de 2 linhas cada)

· Conectivos com relações de sentido equivocadas (ocorre muito com o uso de conjunções as adversativas, explicativas e conclusivas)

· Redundância gerada pela repetição de palavras decorrentes da pobreza vocabular e/ou desconhecimento de outros mecanismos de retomada (elipse, sinonímia, uso de pronomes etc.)

· Ambigüidade devido ao uso inadequado de alguns pronomes e/ou à pontuação imprópria

Quebra do paralelismo, tanto sintático quanto semântico: “a diferença entre os alunos e as cadeiras é muito grande” ao invés de “a diferença entre o número de alunos e cadeiras é muito grande”

Digressões (fuga parcial do tema, geralmente com discussão de temas transversais) etc.

COERÊNCIA (3,0)

Lógica e sentido

Argumentação (já que o texto pedido trata-se de uma argumentação)

Focalização

Relevância

Problemas encontrados com mais freqüência

Argumentação inconsistente e/ou superficial

Falta de criticidade

Fuga parcial do tema

Erro de focalização (delimitar o assunto e estabelecer uma tese) / interpretação equivocada do tema

Exemplificação inadequada

Nível de informatividade baixo: ausência de citações, alusões, analogias, exemplificações, dados e informações

Contradição

Ausência de defesa de tese

Pouca progressão das idéias

Subjetividade (uso da 1ª pessoa, exemplos tirados da vida pessoal, crenças, adjetivos com alta carga opinativa, e principalmente a tentativa de diálogo direto com o leitor (uso de “você”) etc.

EXPRESSÃO (4,0)

Correção gramatical: ortografia, acentuação, concordância, regência, colocação pronominal, uso dos demonstrativos etc.

Linguagem adequada: variedade urbana de prestígio (norma culta)

Clareza: palavras essenciais e simples, concisão

Fluência

Ordem direta

Aspecto gráfico: letra legível, rasuras, respeito às margens.

Problemas encontrados com mais freqüência

Incorreção gramatical

Uso de lugares-comuns e clichês (ex.: “no mundo em que vivemos”)

Interferência da oralidade (ex.: “é claro que”)

Expressão confusa

Uso de palavras e expressões desnecessárias etc.

Redação Nota 10,0

Em meio a escândalos de corrupção na política e surtos de violência nas grandes cidades, o brasileiro pode se ver perdido ou refletir sobre a ética nacional e não encontrar a imagem dela. Pesquisas indicam o Brasil como um dos países onde há mais corrupção no governo, aproximando-o de Estados ditatoriais e anti-democráticos. Porém, é importante frisar que o governo brasileiro representa a maior parte de seu povo, o que leva à discussão ao campo da consciência individual.

O que nós, seres humanos, aprendemos com nossas atitudes determina nossa crescimento. Nas mais simples delas é possível perceber onde estão a ética, o bom senso e a boa ação. Respeitar os lugares reservados aos idosos, deficientes e gestantes, não jogar lixo em local indevido, doar roupas que nem usamos mais a pessoas que realmente necessitam delas são exemplos pequenos do que é possível fazer para contribuir com uma nação correta. E o altruísmo não precisa existir, pois é mais bela a alegria de ajudar o próximo, de demonstrar amos aos Brasil e a seus habitantes.

Há duas posições perante a falta de ética: aceitá-la ou não, torná-la justificável ou não admitir que a desonestidade sirva de meio para conquistas e seja modelo para gerações futuras. Falta de ética causa desigualdade, e esta traz ressentimento e lutas entre seres que se equivalem na condição humana. No Brasil, a disparidade social é absurda e mancha a imagem da nação.

A crise de ética nacional pode ser solucionada atrases da educação. Nunca apenas a educação nas salas de aula, mas presente em cada canto do Brasil. Os ensinamentos sobre os diretos do ser humano, a igualdade entre os homens e o respeito à vida constituem a herança mais valiosa que um povo pode ter. Não estamos ilhados por defender um Brasil honesto; pelo contrário, cada cidadão disposto a fazer o certo pelo bem de seu país é uma gota em um rio caudaloso e extenso que pode lavar “o espírito brasileiro”.


¨ Quer saber mais?

MANUAL DO CANDIDATO do PSS da Universidade Federal de Sergipe.

Coesão e coerência textuais. Leonor Lopes Fávero. Ática, 2001.

A coerência textual. Ingedore Villaça Koch & Luiz Carlos Travaglia. Contexto, 2006.

Oficina de Redação. Leila Lauar Sarmento. Moderna, 2006.

Aula 1: Redação para Enem, vestibulares e outros concursos.

J Dispense o desespero, não há motivo para tal. Escrever uma boa redação para vestibular/concurso não é tarefa extraterrena. Você pode conseguir fazer um bom texto se frequentar nossas aulas e exercitar em casa.

Para que isso seja possível, é preciso entender o que é a redação de vestibular/concurso, por que ela é pedida como critério de seleção para o ingresso ao ensino superior ou a instituições públicas, por quem ela será lida e avaliada, e como ela deve ser escrita.

O que é?

Alguns candidatos até reclamam que ainda não sabem escrever uma redação com qualidade, porém muitos — ou todos — têm uma boa noção do que ela é. E você, o que sabe sobre redação de vestibular/concurso?

Primeiramente, não podemos nos esquecer de que esse gênero textual surge no contexto escolar e somente depois figura como critério de seleção de concursos (como o vestibular, por exemplo). Grande parte deles solicita que o candidato disserte em sua prova de redação.

A nomenclatura dissertação é um pouco equivocada, no entanto. Na verdade, o que realmente se espera do aluno é que ele produza um texto argumentativo ou dissertativo-argumentativo.

Explicamos: A dissertação tem como objetivo explorar certo assunto, explicá-lo, sem, no entanto, incluir um posicionamento ou opinião. Já a argumentação, contrariamente à dissertação, visa convencer o leitor da validade de sua tese, das suas ideias. Inclui a explicação, mas o objetivo da argumentação é, sobretudo, o de persuadir o leitor de que sua opinião sobre determinado assunto é coerente e convincente. É preciso emitir um ponto de vista e defendê-lo.

Sendo assim, chegamos à conclusão que a redação para vestibular/concurso é de caráter opinativo. Ou seja, nela aparecerá uma parte de você e do que pensa sobre o mundo, seus conhecimentos e sua capacidade de julgar e apreciar os acontecimentos. “Escrevo para construir minha própria identidade” — asseverou o escritor e religioso Frei Betto.

Para que é?

Escrever, hoje, é uma necessidade para muitos profissionais e também para estudantes que se vêem às portas da universidade. Num mundo cercado de informações, a capacidade de organizar as ideias por escrito é cada vez mais uma exigência do mercado de trabalho. Além disso, o texto argumentativo-dissertativo é indicador do grau de amadurecimento intelectual daquele que pretende ingressar no ensino superior ou candidatar-se a um cargo — já disse o filósofo da linguagem Wittgenstein: “Os limites da minha linguagem são também os limites do meu pensamento”.

Mais do que o domínio da variedade urbana de prestígio (norma culta), a redação procura avaliar se você está envolvido com os problemas do mundo em que vive, se tem sensibilidade social, preocupação ética, hábito de reflexão, capacidade de usar os conhecimentos adquiridos em favor da coletividade, se sabe usar a linguagem para fazer-se entender e para convencer o outro.

A redação dissertativo-argumentativa serve também para que você demonstre autonomia de raciocínio, para que explore seus conhecimentos. Portanto, ao escrever, explore ideias próprias, fuja do óbvio, do lugar-comum.

Para quem é?

Ter em mente uma nítida imagem de quem será seu leitor é condição central na produção de qualquer texto.

Cada instituição adota critérios distintos para avaliar os candidatos. Boa parte dos critérios, no entanto, é comum a várias bancas do país.

As bancas de hoje gostam de ousadia, mas você deve ousar sem sair da proposta feita pelo enunciado. Por princípio, os avaliadores procuram valorizar mais as qualidades do que os defeitos das redações. Quem vai além do senso-comum mostra marcas de autoria e já está um passo à frente. Não deixe de usar dados e fatos reais que circulam na mídia para provar seus argumentos. Fazer analogias, usar metáforas e comparações maduras em seu texto é uma boa pedida. Mostrar conhecimento de mundo através de citações — bem contextualizadas — do campo da filosofia, da mitologia, da literatura e do cinema, por exemplo, enriquece sua argumentação.

Quanto à correção gramatical, ela é vista como necessária, mas não suficiente. Antes, era considerado um bom texto aquele que se apresentava de acordo com a variedade urbana de prestígio; a capacidade persuasiva não recebia a devida importância. Hoje, um bom texto é aquele em que o candidato mostra boa capacidade de pensar e de expressar-se, em que se preocupa tanto com forma quanto com o conteúdo.

J Ingredientes para um bom desempenho:

1) Obediência estrita ao gênero (a redação pedida costuma ser do tipo dissertativo-argumentativo);

2) Obediência estrita ao tema (assunto: aspecto mais amplo; tema: aspecto mais parcial do assunto, recorte);

3) Discurso na variedade urbana de prestígio (norma culta);

4) Texto coeso, resultado de um planejamento cuidadoso.

L Erros mais condenados pelas bancas:

1) Letra ruim ou ilegível;

2) Fuga ao gênero proposto (há textos que são predominantemente dissertativos quando deveriam ser predominantemente argumentativos; outros que mais parecem crônicas jornalísticas ou narrativas históricas, por exemplo);

3) Redações “camicase”, que tentam obter extremo sucesso com o risco do extremo fracasso: redações em verso, jogos visuais com palavras ou frases, piadinhas, desenhos etc.

4) Colagem de textos da coletânea. É permitido “compartilhar” opiniões e informações neles contidas, citar trechos, porém copiar é proibido! Reescreva o que leu com suas palavras — ou seja, faça paráfrases.

Como é?

Em sua maioria, as redações solicitadas para concurso/vestibular são do tipo dissertativo-argumentativo. São obtidas a partir de um tema (aspecto mais parcial) oferecido, que é um recorte sobre um determinado assunto (aspecto mais amplo). Por exemplo, no Processo Seletivo 2010, a Universidade Federal de Sergipe teve como assunto a água. O recorte temático (tema) foi a necessária preocupação com o uso correto da água doce existente no Brasil, a fim de preservar as condições futuras de vida.

Em sua redação, você deve defender ideias, questionar fatos, oferecer seu ponto de vista sobre circunstâncias, ações e acontecimentos relacionados ao tema. Os argumentos devem estar ordenados de tal forma que alcancem o leitor e o façam considerar a verdade que ali se expõe e se tenta comprovar.

Comumente são dadas ao candidato de 20 a 30 linhas para escrever seu texto, que deve ser composto pelo conhecido e eficiente esquema: Introdução (onde constará sua tese), Desenvolvimento (parte maior e mais significativa do texto opinativo) e Conclusão (reafirmação da sua tese).

É equivocada a ideia de que quanto menos se escreve menos se erra. O peso do erro depende da quantidade de linhas escritas.


¨ Quer saber mais?

Texto & Interação. William Roberto Cereja & Thereza Cochar Magalhães. Atual, 2005.

Redação: Ensino Médio, livro 2. Sistema de Ensino Poliedro, por Esther Pereira Silveira Rosado. 1ª edição. 2010.

Redação linha a linha. Thaís Nicoleti de Camargo. Publifolha, 2004.

Revista Língua Portuguesa: Especial Redação. Editora Segmento, outubro de 2008.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sobre o livro "Depois daquela viagem", de Valéria Polizzi.


Bululuquinhos da titia: achei um site com o livro completinho que vamos ler agora neste bimestre, ó. Se papis e mamis vacilaram e não providenciaram o material, tia Debão resolve. Agora é com vocês! E não me venham com cheiro-mole, nhem-nhem-nhem, bererê caixinha de fósforo! Taí, leiam essa maravilha.

http://www.visionvox.com.br/biblioteca/d/depois-daquela-viagem.txt

Ah, lembra daquela novela global que apresentava, no final de cada capítulo, depoimentos emocionantes de pessoas consideradas "exemplos de vida"? Poizé, uma dessas "lições de vida" foi dada pela autora do nosso livro, Valéria Polizzi. Viram como ela é legal?

Valéria tinha o sonho de levar seu livro para dentro das escolas, a fim de conscientizar os adolescentes (tão cheios de hormônios) sobre o perigo da AIDS e sobre o valor da vida. Como somos maravilhosos: estamos ajudando a realizar o sonho de uma mulher fantástica!!! =D

Que desculpa vai dar para não lê-lo? Veja aí a carinha fofa dessa mulher portadora do HIV desde os 16 - hoje deve estar com 39 anos - e apaixone-se pela sua força!


Quer saber mais? Até hoje ela está vivinha da Silva, escrevendo e escrevendo sobre suas experiências no blog:

(já tô seguindo aqui no *deBorando*, que não sou besta nem nada)

De quebra, presenteio-lhes com este pedacinho do texto, só porque sou gente boa e quero compartilhar essa delícia com meus alunos lindos leitores sabidinhos:
;)

"Para começar, deixe me apresentar. Meu nome é Valéria, tenho 23 anos, altura média, magra, morena, cabelos pretos e lisos. Neta de italianos, filha de pais separados, pertencente à classe média alta. Como você pode ver, uma pessoa comum, ou pelo menos é assim que eu gostaria de ser vista. E tenho certeza de que assim todos me veriam, não fosse um pequeno detalhe: sou HIV positivo. Sabe o que isto significa? É isto aí, tenho o vírus da AIDS. Assustou? Não me diga que teve vontade de largar este livro e ir correndo desinfetar as mãos, com medo de ser contaminado. Tudo bem, não precisa entrar em pânico, não é assim que se pega. Pode até ler de novo: A-I-D-S, AIDS! Viu? Não aconteceu nada. Ainda que eu estivesse aí do seu lado, você pegasse na minha mão, me desse um beijo e um abraço e dissesse "muito prazer", eu responderia "o prazer foi todo meu", e isso não lhe causaria dano algum.  Podemos continuar? Então, continuemos. Você deve estar se perguntando agora como foi que isto aconteceu e aposto que deve estar imaginando que eu sou promíscua, uso drogas e, se fosse homem, era gay. Lamento informar que não é nada disso e, mesmo que fosse, não viria ao caso. Mas acontece que eu era virgem, nunca tinha usado drogas e obviamente não sou gay. O que aconteceu então? É simples, transei sem camisinha."

Conteúdo programático 2011.


Sem querer ser chata, mas já sendo, começo aqui com o nosso conteúdo programático de 2011.

As aulas deste bimestre já estão todas descritas aqui, ó, como tudinho que vai acontecer (pra você não chegar com aquela cara lavada, desdobrando com voz lamuriosa um "professora, eu faltei à aula passada e não sabiaaa").

Prestem atenção nas obras a serem lidas, viu. Começaremos com Depois daquela viagem, autobiografia de Valéria Polizzi, uma garota que pegou AIDS com 16 anos, quando perdeu a virgindade com seu namorado. Que foi, assustou?!? É isso mesmo. A vida pode ser assustadora quando tomamos atitudes negligenciando as consequências... =/

Mas a gente vai falar muitoooo ainda sobre esse livro e tal, logo logo. Por enquanto vou relendo e me deliciando, é massa demais! Se papis e mamis já tiverem arrumado aí o seu, se adiante, comece logo a leitura ao invés de ficar aqui me lendo. Vá se embora, rs. Ops: calma, antes de ir, faça que nem Bial e dê uma espiadinha nisto aqui:

1º Bimestre

– As marcas ideológicas nos textos;

– Gêneros textuais;

– Tipos textuais;

– Obra selecionada: “Depois daquela viagem”, de Valéria Polizzi.

Aulas

02 de fevereiro

- Apresentação do planejamento anual.

- Dinâmica: “Responda-me você...”.

09 de fevereiro

- As marcas ideológicas nos textos.

16 de fevereiro

- Atividade sobre as marcas ideológicas nos textos.

23 de fevereiro

- Gêneros e tipos textuais (parte I).

02 de março

- Gêneros e tipos textuais (parte II).

16 de março

- Atividade sobre gêneros e tipos textuais.

- Roteiro de trabalho sobre o livro Depois daquela viagem, de Valéria Polizzi.

23 de março

- Leitura e análise da obra selecionada.

30 de março

- Revisão do conteúdo bimestral.

- Entrega do trabalho sobre a obra selecionada.

06 de abril

- Avaliação Bimestral I.

2º Bimestre

– Procedimentos de leitura: Pressuposto, Implícito, Inferência, Intertextualidade;

– Charge e tirinha;

– Notícia;

– Obra selecionada: A morte e a morte de Quincas Berro D’Água, de Jorge Amado.

3º Bimestre

– Narração e descrição;

– Elementos da narrativa ficcional;

– Romance, conto e crônica;

– Obra selecionada: Um espinho de marfim, de Marina Colasanti.

4º Bimestre

– A importância da frase;

– Coesão;

– Recursos coesivos;

- Recursos de expressão;

– Obra selecionada: A revolução dos bichos, de George Orwell.


Pronto, galerê. É só isso, aí vocês estarão livres de mim e eu de vocês. Porém estarão mais inteligentes, lindos, maduros; serão orgulho da tia Debão (é esse meu apelido tosco, rs!) quando aprenderem tudinho. E eu serei a professora com o sorriso mais grandão de felicidade por isso.

Então vamos começar, né.
Beijíssimos a todos.


BORA GALERAAAAAAAA!

Tá na hora! As aulas começaram!
Sejam bem vindos ao nosso blog!

Amanhã nos conheceremos, eu ansiosíssima, como sempre. Como vocês serão? Fico imaginando o jeitinho de cada um... Já de agora cruzo os dedinhos e torço para que sejamos bom amigos, para que não me enlouqueçam, para que eu não os chateie, rs. Enfim, para que nos suportemos até o final deste ano da maneira mais legal possível.

Está lançado o desafio, vamo nessa? Topa? ;)


domingo, 21 de novembro de 2010

Homossexualidade ou Homofobia – Onde Está a Vergonha?

10% das populações são gays. Quantas pessoas você conhece? Quantas se declaram ou evidenciam ser homossexuais? Pois é… provavelmente, bem menos que 10%…
Logo, muitas das que você tem como héteros são homoafetivas – talvez muito próximas de você –, e não se sentem à vontade para se apresentar como são, tamanha a perseguição a que se vêem submetidas, desde sempre e em toda parte. Você contribui para isso?
Pode ser a pessoa mais amada: seu pai, sua mãe, seu filho, sua filha, o maior ídolo, o líder religioso ou a grande mestra… Você é dado a piadas de mau gosto, na frente de gays, possivelmente… Não por acaso 1/3 dos homossexuais tenta (disse “tenta”, e não “pensa em”) suicídio.
Você diz que a homossexualidade é contra as leis de Deus? Por quê? Por estar na Bíblia? A Bíblia manda que mulheres fiquem caladas nas igrejas e obedeçam aos maridos, e determina matemos os hereges, os que não sejam judeus, como você e eu. Você concorda com isso? Devemos cometer suicídio em massa, para seguir a Palavra de Deus? Por que não? Por que a situação mudou de figura? Só porque você está no meio desta nova classificação dos condenados pela Bíblia? Hum… A Bíblia está errada, então? Acho que não – vou ajudá-lo: penso que o problema está na interpretação, que precisa ser modificada, não devendo ser literal, nesta parte do escrito sagrado, para que não persigamos inocentes. E por que poderia ser alterada num ponto e não em outros? Por que devemos preservar a caça aos gays? O que foi que eles fizeram mesmo?
Diz você que se põe contra a expressão “gay”, para proteger o patrimônio da família. E por que homossexuais nascem de lares heterossexuais? Não há nenhum indício científico de contágio gay… E, se há contágio de tendências sexuais, por que os heterossexuais não contaminam os gays, que são minoria?
Você acredita que é um vício ou uma depravação… Mas a ciência já coleta evidências numerosas de que o cérebro dos homossexuais é diferente do dos heterossexuais, e que a inclinação homoerótica é-lhes instintiva, fisiológica, como igualmente acontece em animais.
Ah… então você afirma que o que é natural não deve ser seguido, que precisamos domar a natureza. Creio que isso também queira dizer que o sexo heterossexual, que também é instintivo e natural, deve ser freado, quando não servir à reprodução da espécie!? Digamos que alguém só pode fazer sexo três vezes durante toda a vida, o bastante para conceber três filhos, e que toda cópula adicional seria uma entrega injustificável aos apelos da Natureza. Ah… mas então você quer dizer que, embora quase sempre o coito heterossexual não seja reprodutivo, ainda assim não é pecaminoso. E por que mesmo este predicado condena a cópula gay?
Estou um pouco confuso… Qual é mesmo o seu argumento contra os gays? Creio que você não seja tão estúpido para dizer algo como: “Não gosto”, “Tenho nojo”, ou “Sempre foi assim”, ou “Me disseram desde a infância que era assim”. Você não seria assim tão desprovido de cérebro, seria?
Ah… você não gosta do espalhafato da parada gay… E ainda assim ela é necessária, para chamar a atenção para a existência e direito de expressão de um décimo de toda a espécie humana, sem contar os bissexuais, que podem constituir a maioria de todos os componentes de nossa espécie… E… por falar em espalhafato… o que você acha dos desfiles de Carnaval das escolas de samba, ou das praias brasileiras, abarrotadas de gente seminua, nos dias de fim de semana e feriado, com casais heterossexuais aos montes, confiados a toques sensuais e beijos de língua diante de crianças? Chamaríamos tudo isso de orgia heterossexual e deveríamos prender todos os infratores ou repudiar cada casal adolescente que trocasse saliva em público? Eu particularmente considero horrível e de mau gosto qualquer demonstração de afetividade sexual em público, seja hétero ou homossexual. Você só repudia uma delas? Por quê?
Você os vê promíscuos? Tente proibir heterossexuais, desde o berço, de demonstrarem quem são, diga-os aberrações diante de Deus, vergonha familiar e ridículo social, e lance-os em guetos (isso quando conseguem descobrir um reduto onde possam se manifestar). No correr de anos, assim sendo tratada, como ficaria a maior parte dos seres humanos submetidos a esta ordem contínua de opressão de suas almas, contra suas manifestações de liberdade, de seus sentimentos e identidade psicológica?
Oh… sim… você diz que não é contra os homoeróticos, mas não quer que seus filhos sejam componentes dessa comunidade, com a justificativa de que sofrerão discriminação… Então, você começa por pressioná-los e discriminá-los em casa? Não seria seu dever fazer exatamente o contrário? Você não deveria oferecer um apoio duplamente maior a seu filho, na hipótese de ele ser gay, já que uma parcela expressiva da sociedade não o apoiará, como o faria, se fosse heterossexual?
Teme que as pessoas se afastem dele ou de você? Ah… você quer ser aprovado e admirado pelas qualidades de seus filhos, e não que eles sejam felizes e se realizem – é isso mesmo? Quer que eles se submetam a seus caprichos ou de indivíduos perversos e ignorantes que só valorizam o que a massa valoriza? Se você não se enquadra neste perfil, responda-me, então: quem mesmo se afastará de você e de seu círculo familiar, caso surja homossexualidade em sua família? Gente preconceituosa e dada a perseguir minorias? Meu Deus! Que presente dos Céus! Sendo assim, em tendo descoberto inclinação gay em alguns de seus parentes ou mesmo em si, fale logo a todo mundo, para que as pessoas que realmente “não prestam” – os preconceituosos e caçadores de bruxas, hipócritas e mesquinhos, caluniadores e desocupados de má índole – se afastem de você, de seus filhos, de sua família e de seu ambiente social. Principalmente, porque os componentes desta – escusem-me o palavreado, mas falo por milhões de inocentes atormentados injustamente – corja homofóbica, todos mentirosos e dissimulados, querem, atacando os gays de fora de suas casas, esconder os que têm dentro (eles mesmos talvez – já se viu algum heterossexual resolvido ter problema com gays?), visto que, como constituem um décimo da população, os homossexuais estão tão em torno daqueles, como em torno de você!…
Desculpe-me, assim, a franqueza, mas, para qualquer pessoa instruída, hoje, ser homofóbico representa ou interpretação hipócrita e retrógrada de textos religiosos, ou desinformação sobre os últimos avanços da ciência, para não falar de imaturidade e inclinação mesquinha a condenar os diferentes de seu modo de ser – uma vergonha para qualquer cidadão que se diga educado, lúcido e justo.
Ah… você discorda? Pois é: mas precisa contra-argumentar à altura… e… amigo, só tenho visto histeria neo-nazista de fundamentalistas genocidas a rebaterem nossas argumentações. Contudo, ainda que escolha esse caminho horrendo e sem respaldo algum nos meios cultos e maduros da Terra, por favor, se não quiser cometer o maior dos erros, tire Deus dessa história, porque, camarada, a ciência já revelou que a homossexualidade está na Natureza (com 450 espécies de mamíferos a apresentarem-na, além da espécie humana), e se você julga errada a Natureza, estará atacando o Seu Autor.


O texto foi recebido pelo médium Benjamin Teixeira no dia 02 de Abril de 2009 pelo espírito Roberto.
(Fonte: http://www.cinform.com.br/blog/anteriores/242009151036343)

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Viver


Vovô ganhou mais um dia. Sentado na copa, de pijama e chinelas, enrola o primeiro cigarro e espera o gostoso café com leite.
Lili, matinal como um passarinho, também espera o café com leite. Tal e qual vovô.
Pois só as crianças e os velhos conhecem a volúpia de viver dia a dia, hora a hora, e suas esperas e desejos nunca se estendem além de cinco minutos...

(QUINTANA, Mário. Sapato florido. Porto Alegre: Editora Globo, 2005)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Dúvidas Pascais


- Papai, o que é Páscoa?
- Ora, Páscoa é... bem... é uma festa religiosa!
- Igual ao Natal?
- É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição.
- Ressurreição?
- É, ressurreição. Marta, vem cá!
- Sim?
- Explica pra esse garoto o que é ressurreição pra eu poder ler o meu jornal.
- Bom meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado.
Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu?
- Mais ou menos... Mamãe, Jesus era um coelho?
- Que é isso menino? Não me fale uma bobagem dessas! Coelho! Jesus Cristo é o Papai do Céu! Nem parece que esse menino foi batizado! Jorge, esse menino não pode crescer desse jeito, sem ir numa missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã! Já pensou se ele solta uma besteira dessas na escola? Deus me perdoe! Amanhã mesmo vou matricular esse moleque no catecismo!
- Mamãe, mas o Papai do Céu não é Deus?
- É filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Você vai estudar isso no catecismo. É a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.
- O Espírito Santo também é Deus?
- É sim.
- E Minas Gerais?
- Sacrilégio!!!
- É por isso que a Ilha da Trindade fica perto do Espírito Santo?
- Não é o Estado do Espírito Santo que compõe a Trindade, meu filho, é o Espírito Santo de Deus. É um negócio meio complicado, nem a
mamãe entende direito. Mas se você perguntar no catecismo a professora explica tudinho!
- Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?
- Eu sei lá! É uma tradição. É igual a Papai Noel, só que ao invés de presente ele traz ovinhos.
- Coelho bota ovo?
- Chega! Deixa eu ir fazer o almoço que eu ganho mais!
- Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?
- Era... era melhor, sim... ou então urubu.
- Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, né?
- É.
- Que dia que ele morreu?
- Isso eu sei: na Sexta-feira Santa.
- Que dia e que mês?
- (???) Sabe que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na Sexta-feira Santa e ressuscitou três dias depois, no Sábado de
Aleluia.
- Um dia depois!
- Não, três dias depois.
- Então morreu na quarta-feira.
- Não, morreu na Sexta-feira Santa... ou terá sido na Quarta-feira de Cinzas? Ah, garoto, vê se não me confunde! Morreu na sexta
mesmo e ressuscitou no sábado, três dias depois! Como? Pergunte à sua professora de catecismo!
- Papai, por que amarraram um monte de bonecos de pano lá na rua?
- É que hoje é Sábado de Aleluia, e o pessoal vai fazer a malhação do Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.
- O Judas traiu Jesus no sábado?
- Claro que não! Se Jesus morreu na sexta!!!
- Então por que eles não malham o Judas no dia certo?
- Ui...
- Papai, qual era o sobrenome de Jesus?
- Cristo. Jesus Cristo.
- Só?
- Que eu saiba sim, por quê?
- Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele era Jesus Cristo Coelho. Só assim esse negócio de coelho da Páscoa faz sentido,
não acha?
- Ai Coitada!
- Coitada de quem?
- Da sua professora de catecismo!

(Luis Fernando Veríssimo)