sexta-feira, 18 de novembro de 2011

MANUAL DE REDAÇÃO E ESTILO D’O ESTADO DE S. PAULO (adaptado)


MANUAL DE REDAÇÃO E ESTILO D’O ESTADO DE S. PAULO

(adaptado)

Instruções gerais

1 - Seja claro, preciso, direto, objetivo e conciso. Use frases curtas e evite intercalações excessivas ou ordens inversas desnecessárias. Não é justo exigir que o leitor faça complicados exercícios mentais para compreender o texto.

2 - Construa períodos com no máximo duas ou três linhas.

3 - A simplicidade é condição essencial do texto jornalístico. Lembre-se de que você escreve para todos os tipos de leitor e todos, sem exceção, têm o direito de entender qualquer texto.

4 - Adote como norma a ordem direta, por ser aquela que conduz mais facilmente o leitor à essência da informação.

5 - A simplicidade do texto não implica necessariamente repetição de formas e frases desgastadas, uso exagerado de voz passiva (será iniciado, será realizado), pobreza vocabular, etc. Com palavras conhecidas de todos, é possível escrever de maneira original e criativa e produzir frases elegantes, variadas, fluentes e bem alinhavadas. Nunca é demais insistir: fuja, isto sim, dos rebuscamentos, dos pedantismos vocabulares, dos termos técnicos evitáveis e da erudição.

6 - Não comece períodos ou parágrafos seguidos com a mesma palavra, nem use repetidamente a mesma estrutura de frase.

7 - Evite tanto a retórica e o hermetismo como a gíria, o jargão e o coloquialismo.

8 - Despreze as longas descrições e relate o fato no menor número possível de palavras. E proceda da mesma forma com elas: por que opor veto a em vez de vetar, apenas?

9 - Em qualquer ocasião, prefira a palavra mais simples: votar é sempre melhor que sufragar; pretender é sempre melhor que objetivar, intentar ou tencionar; voltar é sempre melhor que regressar ou retornar; tribunal é sempre melhor que corte; passageiro é sempre melhor que usuário; eleição é sempre melhor que pleito; entrar é sempre melhor que ingressar.

10 - Só recorra aos termos técnicos absolutamente indispensáveis e nesse caso coloque o seu significado entre parênteses.

12 - Procure banir do texto os modismos e os lugares-comuns. Você sempre pode encontrar uma forma elegante e criativa de dizer a mesma coisa sem incorrer nas fórmulas desgastadas pelo uso excessivo. Veja algumas: a nível de, deixar a desejar, chegar a um denominador comum, transparência, instigante, pano de fundo, estourar como uma bomba, encerrar com chave de ouro, segredo guardado a sete chaves, dar o último adeus. Acrescente as que puder a esta lista.

13 - Dispense igualmente os preciosismos ou expressões que pretendem substituir termos comuns, como: causídico, Edilidade, soldado do fogo, elenco de medidas, data natalícia, primeiro mandatário, chefe do Executivo, precioso líquido, aeronave, campo-santo, necrópole, casa de leis, petardo, fisicultor, Câmara Alta, etc.

14 - Proceda da mesma forma com as palavras e formas empoladas ou rebuscadas, que tentam transmitir ao leitor mera idéia de erudição. Na redação de vestibular, não há lugar para termos como tecnologizado, agudização, consubstanciação, execucional, operacionalização, mentalização, transfusional, paragonado, rentabilizar, paradigmático, programático, emblematizar, congressual, instrucional, embasamento, ressociabilização, dialogal, transacionar, e outros do gênero.

15 - Não perca de vista o universo vocabular do leitor. Adote esta regra prática: nunca escreva o que você não diria. Assim, alguém rejeita (e não declina de) um convite, protela ou adia (e não procrastina) uma decisão, aproveita (e não usufrui) uma situação. Da mesma forma, prefira demora ou adiamento a delonga; antipatia a idiossincrasia; discórdia ou intriga a cizânia; crítica violenta a diatribe; obscurecer a obnubilar, etc.

16 - O rádio e a televisão podem ter necessidade de palavras de som forte ou vibrante; o texto escrito, não. Assim, goleiro é goleiro e não goleirão. Da mesma forma, rejeite invenções como zagueirão, becão, jogão, pelotaço, galera (como torcida) e similares.

17 - Dificilmente os textos argumentativos justificam a inclusão de palavras ou expressões de valor absoluto ou muito enfático, como certos adjetivos (magnífico, maravilhoso, sensacional, espetacular, admirável, esplêndido, genial), os superlativos (engraçadíssimo, deliciosíssimo, competentíssimo, celebérrimo) e verbos fortes como infernizar, enfurecer, maravilhar, assombrar, deslumbrar, etc.

18 - Termos coloquiais ou de gíria deverão ser usados com extrema parcimônia e apenas em casos muito especiais, para não darem ao leitor a idéia de vulgaridade e principalmente para que não se tornem novos lugares-comuns. Como, por exemplo: a mil, barato, galera, detonar, deitar e rolar, flagrar, com a corda (ou a bola) toda, legal, grana, bacana, etc.

19 - Seja rigoroso na escolha das palavras do texto. Desconfie dos sinônimos perfeitos ou de termos que sirvam para todas as ocasiões. Em geral, há uma palavra para definir uma situação.

29 - Por encadeamento de parágrafos não se entenda o cômodo uso de vícios lingüísticos, como por outro lado; a partir dessa discussão, conclui-se que e outros do gênero. Busque formas menos batidas ou simplesmente as dispense: se a seqüência do texto estiver correta, esses recursos se tornarão absolutamente desnecessários.

31 - Depois de pronto, reveja e confira todo o texto, com cuidado.

48 - Em caso de dúvida, não hesite em consultar dicionários, enciclopédias, almanaques e outros livros de referência. Ou recorrer aos especialistas e aos colegas mais experientes.

Uso de letras maiúsculas.

Maiúsculas


A letra maiúscula é um recurso gráfico utilizado para dois propósitos: assinalar o início do período (em oposição ao ponto final, que o encerra) e dar destaque a uma palavra, seja ela um substantivo próprio ou não. Uma vez alfabetizados, não temos dificuldade em utilizar a maiúscula para o primeiro propósito, mas temos dúvidas freqüentes sobre quando dar ou não destaque à palavra.

O Formulário Ortográfico de 1943, que rege a matéria, não foi suficiente explícito quanto ao estabelecimento de normas.
Além do mais, dá margem à flexibilidade, quando permite o uso de inicial maiúscula por "especial relevo", por "deferência, consideração, respeito", quando "se queira realçar", ou na designação de "alto conceito", "altos cargos, dignidades ou postos." Assim, sempre se poderia justificar o uso de maiúsculas pela "ênfase" ou "destaque".

O que se observa hoje em dia são as seguintes tendências:

1. As grandes companhias jornalísticas criam, para vários casos, normas próprias e acabam criando uma tendência.
2. O emprego de maiúsculas em excesso, os negritos, os sublinhados ou os destaques estão caindo de moda, já que "poluem" o texto.
3. A tendência é, pois, a seguinte:
- mais formalidade, mais deferência, mais ênfase: maiúscula;
- mais modernidade, menos "poluição" gráfica, mais simplicidade: minúscula.

Nunca se pode esquecer, no entanto, da regra taxativa que preceitua o emprego obrigatório de letra inicial maiúscula nos substantivos próprios de qualquer natureza.


Quando devo usar maiúscula, obrigatoriamente?


1. No início de período ou citação.
Exemplos:
- Ao longo de sua existência, a PUCRS atingiu uma posição de destaque entre as instituições de ensino superior mais conceituadas do Brasil.
- O Ir. Norberto Francisco Rauch, reitor da PUCRS, declarou, ao lançar o Plano Estratégico da PUCRS 2001-2010: "A aspiração da PUCRS é tornar-se referência pela relevância de suas pesquisas e excelência de seus cursos e serviços, conforme descrito na sua Visão de Futuro."

Observação: Se, depois dos dois pontos, vier um simples desdobramento da frase ou uma enumeração (e não uma citação direta), a palavra começará com minúscula. Exemplo: O contexto do ensino superior brasileiro apresenta, entre outras, as seguintes grandes tendências: expansão acelerada e interiorização de ensino superior, consolidação da pós-graduação e melhoria da qualificação do corpo docente.

2. Nas datas oficiais e nomes de fatos ou épocas históricas, de festas religiosas, de atos solenes e de grandes empreendimentos públicos ou institucionais.

Exemplos: Sete de Setembro, Quinze de Novembro, Ano Novo, Idade Média, Era Cristã, Antigüidade, Sexta-Feira Santa, Dia das Mães, Dia do Professor, Natal, Confraternização Universal, Corpus Christi, Finados.

Observação: empregue letra minúscula em casos como os seguintes: era espacial, era nuclear, era pré-industrial, etc.

3. Nos títulos de livros, teses, dissertações, monografias, jornais, revistas, artigos, filmes, peças, músicas, telas, etc.

Observação: escrevem-se com inicial minúscula os artigos, as preposições, as conjunções e os advérbios desses títulos.

Exemplos: O Catecismo ao Alcance de Todos, Pilares da PUCRS, O Racional e o Mitológico em Wittgenstein, Os Sentidos da Justiça em Aristóteles, Introdução a Estudos de Fonologia do Português Brasileiro.

4. Nos nomes dos pontos cardeais e dos colaterais quando indicam as grandes regiões do Brasil e do mundo.

Exemplos: Sul, Nordeste, Leste Europeu, Oriente Médio,etc.

Observação: Quando designam direções ou quando se empregam como adjetivo, escrevem-se com inicial minúscula: o nordeste do Rio Grande do Sul; percorreu o Brasil de norte a sul, de leste a oeste; o sudoeste de Santa Catarina; vento norte; litoral sul; zona leste, etc.

5. Nos nomes de disciplinas de um currículo ou de um exame.

Exemplos: Introdução à Bíblia, Teologia Moral V, Língua Portuguesa I, Filosofia II, História da Psicologia, Matemática B, Cirurgia IV, Mecânica Geral,etc.

6. Nos ramos do conhecimento humano, quando tomados em sua dimensão mais ampla:

Exemplos: a Ética, a Lingüística, a Filosofia, a Medicina, a Aeronaútica, etc.

7. Nos nomes dos corpos celestes.

Exemplos: Terra, Sol, Lua, Via-Láctea, Saturno, etc.

8. Nos nomes de leis, decretos, atos ou diplomas oficiais.

Exemplos: Decreto Federal nº 25. 794; Portaria nº 1054, de 17-9-1998; Lei dos Direitos Autorais nº 9.609; Parecer nº 03/00; Sessão nº 01/00; Resolução 3/87 CFE, etc.

9. Em todos os elementos de um nome próprio composto, unidos por hífen.

Exemplos: Pró-Reitoria de Ensino e Graduação, Pós-Graduação em Finanças, etc.

10. Nos nomes de eventos (cursos, palestras, conferências, simpósios, feiras, festas, exposições, etc.).

Exemplos: Simpósio Internacional de Epilepsia; Jornada Paulista de Radiologia; II Congresso Gaúcho de Educação Médica; Técnicas de Ventilação em Neonatologia, etc.

11. Nos nomes de diversos setores de uma administração ou instituição.

Exemplos: Reitoria, Pró-Reitoria de Administração, Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, Pró-Reitoria de Extensão Universitária, Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários, Gabinete da Reitoria, Assessoria Jurídica, Assessoria de Comunicação Social, Gerência de Web, Conselho Departamental, Departamento de Jornalismo, Centro de Pastoral Universitária, etc.

Observação: Na designação das profissões e dos ocupantes de cargo (presidente, vice, ministro, senador, deputado, secretário, prefeito, vereador, papa, arcebispo, cardeal, princesa, rei, rainha, diretor, coordenador, advogado, professor, engenheiro, reitor, pró-reitor, etc) empregue-se letra minúscula, apesar de a norma oficial determinar maiúscula para os "altos cargos, dignidades ou postos". Exemplos: reitor, vice-reitor, pró-reitor, chefe de gabinete, assessor, diretor, vice-diretor, coordenador, professor, etc.

12. Nos nomes comuns, quando personificados ou individualizados.

Exemplos: O Estado (Rio Grande do Sul), o País, a Nação (o Brasil), etc.

13. Nos pronomes de tratamento e nas suas abreviaturas.

Exemplos: Vossa Excelência, Vossa Senhoria, Senhor, Senhora, Dom, Dona, V. Exa., V. Sa., etc.

14. Nos acidentes geográficos e sua denominação.

Exemplos: Rio das Antas, Rio Taquari, Serra do Mar, Golfo Pérsico, Cabo da Boa Esperança, Lagoa dos Quadros, Oceano Atlântico.

Observação: Segundo a norma oficial, escrevem-se com minúsculas: rio Taquari, monte Everest, etc. Acontece, no entanto, que tal procedimento poderá trazer confusão quando o acidente geográfico faz parte integrante, indissociável do nome próprio: Mar Morto, Mar Vermelho, Trópico de Câncer, Hemisfério Sul, etc. Se a opção for sempre pela maiúscula, a grafia, neste caso, ficará mais fácil.

15. Nos nomes de logradouros públicos (avenida, ruas, travessas, praças, pontes, viadutos, etc.).

Exemplos: Avenida Farrapos, Rua Vicente da Fontoura, Travessa Fonte da Saúde, Parque Farroupilha, Praça São Sebastião, Praça Dom Feliciano, etc.


Saiba Mais



Que letra empregar no início de itens de um texto, depois de dois-pontos?
Há, na verdade, três opções:

Iniciar cada item com letra minúscula e terminar com ponto-e-vírgula, com exceção do último item, que acaba com ponto final.


"Art. 4 - Constituída pela comunidade de professores, funcionários e alunos, a Universidade tem por finalidades:
I. manter e desenvolver a educação, o ensino, a pesquisa e a extensão em padrões de elevada qualidades;
II. formar profissionais competentes nas diferentes áreas do conhecimento, cônscios da responsabilidade e do compromisso social como cidadãos;
III. promover o desenvolvimento científico-tecnológico, econômico, social, artístico, cultural da pessoa humana, tendo como referencial os valores cristãos;
IV. estender à comunidade as atividades universitárias, com vistas à elevação do nível sócio-econômico-cultural."

Iniciar cada item com maiúscula ou minúscula e terminar sempre com ponto final.

Exemplo:

"Algumas dicas podem ser úteis para o tratamento de paciente violento:
1. Não brigue com o paciente, respondendo com raiva ou, por outro lado, sendo condescendente. Demonstre firmeza sem ser rude.
2. Não toque o paciente ou o assunte, nem o aborde subidamente sem aviso (...)".

FRITSCHER, Carlos Cezar et al. Manual de urgências médicas.Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002, p. 521.

Iniciar cada item com minúscula ou maiúscula e terminar sem nenhuma pontuação.

Exemplo:

"As manifestações clínicas usualmente encontradas na insuficiência respiratória aguda (IRA) são:
- Dispnéia
- Dificuldade em articular frases ou palavras
- Cianose periférica ou central
- Confusão mental (...)"


FRITSCHER, Carlos Cezar et al. Manual de urgências médicas. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002, p. 468.

Abreviaturas.


Abreviaturas



As abreviações utilizadas na língua revelam o ritmo acelerado da vida moderna, que faz com que se economizem palavras e tempo, mediante uma comunicação mais rápida, que reduz frases, expressões e palavras. Veja os exemplos:


cinematógrafo > cinema > cine
pornográfico > pornô
telefone > fone
psicologia > psico
pneumático > pneu
professor > profe
português > portuga
japonês > japa
Florianópolis > Floripa
São Leopoldo > São Leo



A abreviação que se apresenta nesta seção denomina-se de abreviatura.
A abreviatura é parte da palavra escrita que indica ou resume a palavra, por meio

da letra inicial: v. = veja

das letras ou sílabas iniciais: of. = ofício

de letras iniciais, mediais ou finais: pq. = porque


A abreviatura caracteriza-se

pelo ponto abreviativo: ed. = edição

pela inicial maiúscula ou minúscula (conforme a norma ortográfica): V. Exa. = Vossa Excelência

pela acentuação e flexão: cód. = código - fs. = folhas

Lista Geral


abreviatura = abr., abrev.
academia = acad.
acórdão = ac.
ad valorem, pelo valor = ad val.
advocacia = adv., advoc.
agricultura = agr., agric.
agronomia = agron.
aguarda deferimento = A.D.
alqueire(s) = alq.
altitude = alt., altit.
alvará = alv.
anno Christi, no ano de Cristo, na era cristã = A.C.
ante meridiem (antes do meio dia) = a.m.
antes de Cristo = a.C.
ao ano = a/a, a.a.
ao mês = a/m
ao(s) cuidado(s) de = a/c, A/C
apartamento = ap., apart.
apêndice = ap., apênd.
aritmética = arit., aritm.
arquitetura = arq., arquit.
arroba(s) = A., arr.
artigo, artigos = art., arts.
assembléia = assem., assemb.
associação = assoc.
atenciosamente = at.te, (atte.)
atestado, à atenção de = at.
autor, autores = A., AA.
balanço = bal.
bateria = bat.
caixa(s) = cx.
capítulo, capítulos = cap., caps.
catálogo = cat.
cheque = ch.
circular = circ.
círculo = círc.
citação, citado(s) = cit.
classe(s) = cl.
código = cód.
coleção, coleções; coluna, colunas = col., cols.
com, cada, conta = c/
companhia = C.ia, Cia.
compare = cp.
conforme = cfe., cfm., conf.
confronte, confira, confere = cf., cfr.
conselho = cons.
construção = constr.
conta aberta = c/a
contabilidade = contab.
conta-corrente, com cópia(s), combinado com = c/c
contadoria = contad.
co-seno = cos.
crédito = créd.
débito = déb.
decreto = dec.
departamento, departamentos = dep., deps.
depois de Cristo = d.C., D.C.
desconto(s) = desc.
despesa(s), desporto(s) = desp.
deve = D.
dicionário = dic.
diploma = dipl.
divisão, divisões = div.
documento, documentos = doc., docs.
dúzia(s) = dz.
edição = ed.
edifício = ed., edif.
editor, editores = E., EE.
educação = ed., educ.
elemento(s) = el.
eletronic mail (correio eletrônico) = e-mail
em mão(s) = E.M.
endereço = end.
endereço telegráfico = end. tel.
espera deferimento = E.D.
estante(s); estabelecimento; estrada = est.
et alii, e outros (em citações) = et al.
et cetera (lat.) = e outras coisas, e os outros, e assim por diante = etc.
exemplar(es), exemplo(s) = ex.
exempli gratia (lat.) = e. g.
fac-símile = fs.
fascículo = fasc.
figura = fg., fig.
folha; folhas = f., fl., fol., ff., fs., fols.
ganhos e perdas = G/P
gênero(s) = gên.
grão (peso) = gr.
grosa, grosas = gr., grs.
habitantes = hab.
haver (comercialmente) = H.
homens = h.
Honoris causa (por honra, honorariamente) = h.c.
Ibidem (no mesmo lugar) = ib., ibid.
id est (isto é) = i.e.
idem ( o mesmo, do mesmo autor) = id.
índice = ind.
inferior = inf.
informação = inf., inform.
isto é = i.é.
jurídico = jur.
lançado (comercialmente), letra(s) (comercialmente) = l.
légua, léguas = lég., légs.
limitada (comercialmente) = Lt.da, Ltda.
livro = l., liv., l°, lo.
logaritmo = log., logar.
manuscrito, manuscritos = ms., mss.
medicina = med.
medicina do trabalho = med.trab.
medicina legal = med. leg.
médico = méd.
médico-veterinário = méd. -vet.
memorando = memo., memor.
mês, meses = m.
meses de data = m/d
meses de prazo = m/p
meu cheque = m/ch.
meu número = m/nº
meu saque = m/s
meu(s), minhas(s) = m/
minha carta, minha conta = m/c
minha comissão = m/com.
minha conta-corrente = m/c/c
minha ordem = m/o
minha referência = m/ref.
minha remessa = m/rem.
mister (inglês = senhor) = Mr.
mistress (inglês = senhora) = Mrs.
monsieur (francês = senhor) =M.
município, municípios = M., MM., mun.
nome próprio = n.p.
nome, número(s) = n.
nossa carta, nossa casa, nossa conta (comercialmente) = n/c
nossa(s) letra(s) (comercialmente) = n/l
nosso cheque = n/ch.
nosso saque (comercialmente) = n/s
nosso(s), nossa(s) (comercialmente) = n/
nota bene (latim = nota/note bem) = N.B.
nota da editora = N. da E.
nota da redação = N. da R.
nota do autor = N. do A.
nota do editor = N. do E.
numeral = num.
número (gramaticalmente, isto é, número gramatical = singular, plural) =num.
número = nº
obra(s) = ob.
obra(s) citadas = ob. Cit.
observação = obs.
ofício, oficial = of.
opere citato (na obra citada), opus citatum (obra citada) = op. cit.
ordem = o/
organização = org., organiz.
pacote(s) = pc.
pagamento = pg.to, pgto.
página(s) (ABNT) = p., pp., ps.
pago (adjetivo), pagou = pg.
palavra(s) = pal.
palmo, palmos = p., ps.
para, por, próximo (comercialmente) = p., p/
parecer = par.
passim (aqui e ali, em diversos lugares da obra citada), passado, passivo = pass.
peça(s) = pç.
pede deferimento = P.D.
pede justiça = P.J.
peso bruto = P.B.
peso líquido = P.L.
polegada(s) = pol.
por conta = p/c
por especial obséquio = P.E.O.
por exemplo = p. ex.
por ordem = P.O.
por procuração; próximo passo = p.p.
porque = pq.
portaria = port.
post meridiem (depois do meio-dia); post mortem(depois da morte) = p.m.
post scriptum (depois de escrito, pós-escrito) = p.s.
problema(s) = probl.
processo, procuração = proc.
próximo futuro = p.f.
quantum satis (quanto baste, em receitas médicas) = q.s.
quilate(s) = ql.
quod erat demonstrandum (o que devia ser demonstrado) = Q.E.D., Q.e.d.
receita = rec.
referência, referente = ref.
registro = rg., reg.
relatório = rel., relat.
remetente = rem.te, Remte.
reprovado (classificação escolar); réu (em linguagem forense) = R.
residência = res.
revista = rev.
rubrica = rubr.
saco, sacos = sc., scs.
salvo erro ou emissão = S.E.O.
salvo melhor juízo = S.M.J., s.m.j.
São, Sul = S.
scilicet ( a saber, quer dizer) = sc.
seção = seç.
secretaria, secretário, secretária = sec., secr.
século, séculos = séc., sécs.
seguinte, seguintes = seg., segs., ss.
sem data = s.d., s/d
sem gastos = s.g.
semana(s), semelhante(s), semestre(s) = sem.
seminário = sem., semin.
série = ser.
sine die (sem dia marcado, sem data marcada) = s.d.
sociedade (comercialmente) = soc.
Sociedade Anônima = S.A., S/A
sua carta, sua conta (comercialmente) = s/c
sua casa = S/C, s/c
sucessor(es) (comercialmente) = suc.
sucursal = suc.
também = tb.
telefone, telegrama = tel.
termo, termos = t., tt.
tesoureiro = tes.
testamento = testº, testo.
testemunha = test.
título(s) = tít.
tomo, tomos = t., ts., tt.
tonel, tonéis = ton.
tratado, tratamento =trat.
trimestral = trim., trimest., trimestr.
trimestre(s) = trim.
unidade, uniforme = un.
universidade = univ., univers.
usado, usada = us.
uso externo = u.e.
valor(es) = val.
veja, vide (latim = veja) = v.
verbi gratia (por exemplo) = v.g.
volume, volumes = vol., vols.


Formas de Tratamento


acadêmico = Acad., Acadêm.
advogado = Adv.º, Advo.
almirante = Alm.
arcebispo = Arc.º, Arco.
bacharel, bacharela, bacharéis, bacharelas = B.el, Bel., B.ela, Bela., B.éis, Béis., B.elas, Belas.
bispo = B.po, Bpo.
capitão = Cap.
cardeal = Card.
comandante = Com., Com.te, Comte.
comendador = Com., Comend., Com.or, Comor.
cônego = Côn.º, Côno.
conselheiro = Cons., Consel., Conselh., Cons.º, Conso.
contador = Cont.dor, Contdor., Cont.or, Contor.
contra-almirante = C.-alm.
coronel = C.el, Cel.
deputado = Dep.
desembargador, desembargadora = Des., Des.ª, Desa.
diácono = Diác.
Digníssimo = DD.
Digno, Dom, Dona = D.
Dona = D.ª, Da.
doutor, doutores = D.r, Dr., D.rs, Drs.
doutora, doutoras = D.ra, Dra. D.ras, Dras.
editor, editores = E., EE.
embaixador extraordinário e plenipotenciário = E.E.P.
Eminência = Em.ª, Ema.
Eminentíssimo = Em.mo, Emmo.
enfermeiro, enfermeira = Enf., Enf.ª, Enfa.
engenheiro, engenheira = Eng., Eng.º, Engo.
enviado extraordinário e ministro plenipotenciário = E.E.M.P.
Estado-Maior = E.M., E.-M.
Excelência = Ex.ª, Exa.
Excelentíssimo, Excelentíssima = Ex.mo, Exmo. Ex.ma, Exma.
general = Gen., G.al, Gal.
ilustríssimo, Ilustríssima = Il.mo, Ilmo., Il.ma, Ilma.
madame (francês = senhora) = M.me, Mme.
mademoiselle (francês = senhorita) = M.lle, Mlle.
major = maj.
major-brigadeiro = Maj.-Brig.
marechal = Mar., M.al,Mal.
médico = Méd.
Meritíssimo = MM.
mestre, mestra = Me, Me., Mª, Ma.
mister (inglês = senhor) = Mr.
monsenhor = Mons.
monsieur, messieurs (francês = senhor, senhores) = M., MM.
Mui(to) Digno = M.D.
Nossa Senhora = N.Sª, N.Sa.
Nosso Senhor = N.S.
padre = P., P.e, Pe.
pároco = Pár.º, paro.
pastor = Pr.
Philosophiae Doctor (latim = doutor de/ em filosofia) =Ph.D.
prefeito = Pref.
presbítero = Presb.º, Presbo.
presidente = Pres., Presid.
procurador = Proc.
professor, professores = Prof., Profs.
professora, professoras = Prof.ª, Profa., Prof.as, Profas.
promotor = Prom.
provedor = Prov.
rei = R.
Reverendíssimo, Revendíssima = Rev.mo, Revmo., Rev.ma, Revma.
Reverendo = Rev., Rev.do, Revdo., Rev.º, Revo.
Reverendo Padre = R.P.
sacerdote = Sac.
Santa = S., S.ta, Sta.
Santíssimo = SS.
Santo = S., S.to, Sto.
Santo Padre = S.P.
São, Santo, Santa = S.
sargento = Sarg.
sargento-ajudante = Sarg.-aj.te,Sarg.-ajte.
secretário, secretária = Sec., Secr.
senador = Sen.
senhor, senhores = S.r, Sr., S.rs, Srs.
senhora, senhoras = S.ra, Sra., S.ras, Sras.
senhorita, senhoritas = Sr.ta, Srta., Sr.tas, Srtas.
Sênior = S.or, Sor.
sóror = Sór., S.or, Sor.
Sua Alteza Real = S.A.R.
Sua Alteza = S.A.
Sua Eminência = S.Em.ª, S.Ema.
Sua Excelência = S..Ex.ª, S.Exa.
Sua Excelência Reverendíssima = S.Ex.ª Rev.ma, S. Exa. Revma.
Sua Majestade = S.M.
Sua Reverência = S. Rev.ª, S.Reva.
Sua Reverendíssima = S.Rev.ma, S. Revma.
Sua Santidade = S.S.
Sua Senhoria = S.Sª, S.Sa.
tenente = Ten., T.te, Tte.
tenente-coronel = Ten. -c.el, Ten.-cel., t.te - c.el, Tte. - cel.
tesoureiro = Tes.
testemunha = Test.
vereador = Ver.
veterinário = Vet.
vice-almirante = V. -alm.
vigário = Vig., Vig.º, Vigo.
visconde = V.de, Vde.
viscondessa = V.dessa, Vdessa.
você = V., v.
Vossa Alteza = V.A.
Vossa Eminência, Vossas Eminências = V.Em.ª, V.Ema., V.Em.as, V.Emas.
Vossa Excelência Reverendíssima, Vossas Excelências Reverendíssimas = V.Ex.ª Rev.ma, V. Exa. Revma., V.Ex.as Rev.mas, V. Exas. Revmas.
Vossa Excelência, Vossas Excelências = V.Ex.ª, V.Exa., V.Ex.as, V.Exas.
Vossa Magnificência, Vossas Magnificências = V. Mag.ª, V.Maga., V.Mag.as, V.Magas.
Vossa Majestade = V.M.
Vossa Revendíssima, Vossas Reverendíssimas = V. Ver.ma, V. Revma., V.Rev.mas, V. Revmas.
Vossa Reverência, Vossas Reverências = V.Rev.ª, V.Reva., V. Rev.as, V.Revas.
Vossa Senhoria, Vossas Senhorias = V.S.ª, V.Sa., V.S.as, V.Sas.


Nomes dos Meses


janeiro = jan.
fevereiro = fev.
março = mar.
abril = abr.
maio = maio (De acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
maio = mai. (De acordo com a Academia Brasileira de Letras)
junho = jun.
julho = jul.
agosto = ago.
setembro = set.
outubro = out.
novembro = nov.
dezembro = dez.

Vias e Lugares Públicos



Segundo as normas ortográficas, emprega-se inicial maiúscula nos nomes de logradouros públicos (avenida, rua, praça, etc.), o que explica a maiúscula nas abreviaturas a seguir.

Alameda = Al.
Avenida = Av.
Beco = B.
Calçada = Cal., Calç.
Distrito = D., Dt. *
Estrada = Est.
Galeria = Gal. *
Jardim = Jd.*
Largo = L., Lg. *
Praça = P., Pç. *
Parada = Pda. *
Parque = Pq., Prq. *
Praia = Pr. *
Rua = R.
Rodoviária = Rdv. *
Rodovia = Rod. *
Retorno = Rtn. *
Trevo = Trv. *
Travessa = T., Tv. *
Via = V. *
Viaduto = Vd. *

* Abreviaturas da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT).


Livros, Capítulos e Versículos da Bíblia

1. Antigo Testamento


O Pentateuco:

Livro da Gênese = Gn
Livro do Êxodo = Ex
Livro do Levítico = Lv
Livro dos Números = Nm
Livro do Deuteronômio = Dt



Históricos:

Livro de Josué = Js
Livro dos Juízes = Jz
Livro de Rute = Rt
1º Livro de Samuel = I Sm
2º Livro de Samuel = II Sm
1º Livro de Reis = I Rs
2º Livro de Reis = II Rs
1º Livro de Crônicas = I Cr
2º Livro de Crônicas = II Cr
Livro de Esdras = Esd
Livro de Neemias = Ne
LIvro de Tobias = Tb
Livro de Judite = Jud
Livro de Ester = Est
1º Livro dos Macabeus = I Mc
2º Livro dos Macabeus = II Mc



Sapienciais:

Livro de Jó = Jó
Livro dos Salmos = Sl
Livro dos Provérbios = Pr
Livro do Eclesiaste = Ecl
Cântico dos Cânticos = Ct
Livro da Sabedoria = Sb
Livro do Eclesiástico = Eclo


Proféticos:

Livro de Isaías = Is
Livro de Jeremias = Jr
LIvro das Lamentações = Lm
Livro de Baruc = Br
Livro de Ezequiel = Ez
Livro de Daniel = Dn
Livro de Oséias = Os
Livro de Joel = Jl
Livro de Amós = Am
Livro de Abdias = Ab
Livro de Jonas = Jn
Livro de Miquéias = Mq
Livro de Naum = Na
Livro de Habacuc = Hab
Livro de Sofonias = Sf
Livro de Ageu = Ag
Livro de Zacarias = Zc
Livro de Malaquias = Ml

2. Novo Testamento


Evangelhos:

Evangelho segundo Mateus = Mt
Evangelho segundo Marcos = Mc
Evangelho segundo Lucas = Lc
Evangelho segundo João = Jo


Atos:

Atos dos Apóstolos = At


Epístolas:

Epístola dos Romanos = Rm
1ª Epístola dos Coríntios = I Cor
2ª Epístola dos Coríntios = II Cor
Epístola aos Gálatas = Gl
Epístola aos Efésios = Ef
Epístola Filipenses = Fl
Epístola aos Colossenses = Cl
1ª Epístola aos Tessalonicenses = I Ts
2ª Epístola aos Tessalonicenses = II Ts
1ª Epístola a Timóteo = I Tm
2ª Epístola a Timóteo = II Tm
Epístola a Tito = Tt
Epístola a Filemon = Fm
Epístola aos Hebreus = Hb
Epístola de Tiago = Tg
1ª Epístola de Pedro = I Pd
2ª Epístola de Pedro = II Pd
1ª Epístola de João = I Jo
2ª Epístola de João = II Jo
3ª Epístola de João = III Jo
Epístola de Judas = Jd


Profético:

Apocalipse de João = Ap


Para se fazerem citações mais completas, usam-se os seguintes sinais de pontuação:

Vírgula: separa o capítulo dos versículos.
Ex.: II Ts2,2 = Segunda Epístola aos Tessalonicenses, capítulo 2, versículo 2.

Hífen: apresenta uma seqüência de capítulos ou versículos.
Ex.: Ex14,2-6 = Livro do Êxodo, capítulo 14, vesículos 2 a 6.

Ponto: apresenta capítulos e/ou versículos citados isoladamente.
Ex.: Jo3.4 = Evangelho segundo João, capítulos 3 e 4.

Jo3,1.2.4 = Evangelho segundo João, capítulo 3, versículos 1, 2 e 4.

Ponto-e-vírgula: indica capítulos e versículos isolados, pertencentes ao mesmo Livro.
Ex.: Jo 3,22-25;6,1-3 = Evangelho segundo João, capítulo 3, vesículos 22 a 25: e capítulo 6, versículos 1 a 3.

Saiba mais

Como abreviar palavras

1. Escreve-se a primeira sílaba e a primeira letra da segunda sílaba, seguida de ponto abreviativo. Exemplos:
Gramática: gram.
Alemão: al.
Numeral: num.

2. O acento presente na primeira sílaba se mantém. Exemplos:
Gênero: gên.
Crédito: créd.
Lógico: lóg.

3. Se a segunda sílaba iniciar por duas consoantes, escrevem-se as duas. Exemplos:
Pessoa: pess.
Construção: constr.
Secretário: secr.

4. Inúmeras palavras não seguem essas regras. Exemplos:
Antes de Cristo: a . C.
Apartamento: apto.
Companhia: cia.
Página: pg.

Aula 10: Revisar e reescrever o texto.

J Mesmo escritores tarimbados revisam muito seus textos antes de expô-los à leitura. Por que não você, candidato? Antes de entregar a redação para o exame da banca, é preciso saber se o que você quis dizer foi propriamente dito. A principal qualidade numa revisão é a busca pela clareza. Faça a si mesmo estas perguntas:

  • O seu texto pode ser compreendido sem esforço de interpretação do leitor?
  • Há partes que precisam ser relidas para um melhor entendimento?
  • As frases estão claras?
  • Você seguiu o planejamento feito antes de começar a escrever sua redação?

Com o planejamento feito, a ordem é deixar fluir o pensamento e escrever. Depois de terminado o rascunho, é imprescindível uma leitura atenta, a fim não apenas de corrigir possíveis erros, como também de melhorar o que já foi produzido. Na verdade, não somente uma leitura atenta, mas várias, pois o processo de revisão consiste basicamente em: ler – detectar o que há para ser refeito, trocado ou reordenado – reescrever – reler – detectar (...). O propósito de revisar é fazer com que o leitor não passe pelas mesmas dificuldades de compreensão pelas quais você passou ao ler seu próprio texto.

CUIDADOS NA REVISÃO

1. Confira se o texto flui ponto por ponto.

2. Está clara a questão posta em debate por seu texto? Há uma tese bem construída? Os argumentos respondem às questões da sua tese?

3. Consegue identificar trechos truncados, que dificultam a leitura? Há frases muito longas, com 4 ou mais linhas?

4. O texto mostra posicionamento em relação à questão debatida — ou seja, é predominantemente argumentativo? Ou apenas explica e expõe a opinião dos outros?

5. Quais os argumentos contrários aos defendidos por você? Você precisa conhecê-los para refutá-los, quando necessário, e para analisar a força dos seus próprios argumentos.

6. Corte afirmações e trechos irrelevantes. Cuidado com o uso dos parênteses no caso de informação que pode ser dispensada. Priorize pela concisão: se ela não faz falta, retire-a.

7. Reorganize, se for o caso. Seu argumento mais forte está no 1º parágrafo de desenvolvimento? O tópico frasal inicial ou fecha os parágrafos de desenvolvimento? Veja se trechos não deveriam ser mais bem distribuídos ou se valeria a pena usá-lo noutro ponto da redação.

8. Há lugares-comuns e/ou clichês em seu texto? Os argumentos fogem da obviedade do senso comum?

9. Existem elementos que não foram abordados, deixando lacunas de sentido? Faltaram referências?

10. Faça uma revisão gramatical cuidadosa. Cuide da pontuação, não se esqueça das vírgulas. O Novo Acordo Ortográfico não aboliu o acento da Língua Portuguesa, por isso acentue! Troque termos mal empregados quanto ao sentido. Confira se há repetições desnecessárias de palavras e utilize recursos de coesão para substituí-las ou retirá-las. Atente para a concordância, especialmente em períodos mais longos. Desfaça possíveis ambigüidades, muito comum com pronomes.

CUIDADOS NA REESCRITA DOS TEXTOS

Ambigüidade

É a duplicidade de sentidos de uma construção sintática. Ex.: “A violência tem causado temor na população devido ao seu crescimento”. O pronome seu refere-se a violência ou a população? Quem cresceu? Sugestão para desfazer a ambigüidade: “Em razão do seu crescimento, a violência tem causado temor na população”.

Cacófato

Palavra ou expressão obscena ou fora de contexto que resulta da junção da sílaba final de uma palavra com a inicial de outra. Exs.: “Governo confisca gado”. Sugestão de reescrita: “Gado é confiscado pelo governo”.

Estrangeirismo

Prefira palavras em português ou aportuguesadas. Se não puderem ser substituídos, use o termo entre aspas. Por exemplo, substitua “affair” por “caso amoroso”, “score” por “escore” (resultado), “deadline” por “data-limite”. Há algumas palavras, no entanto, que já caíram no uso corrente da língua, como “site” (sítio, lugar), “overdose” (superdose), “outdoor” (cartaz), “know-how” (conhecimento), workaholic (viciado em trabalho) e “impeachment” (destituição); ou que não têm correspondente em português, como “apartheid” e “web”.

“Gerundismo”

O uso do gerúndio não é proibido, como alguns acreditam, mas deve ser feito de maneira adequada.

Há o “bom gerúndio” nos quatro casos seguintes:

1) com valor condicional: “Estudando, consegue-se boa bagagem para a futura profissão”.

2) quando é combinado aos verbos auxiliares ir e vir, indicando uma ação que se desenvolve progressivamente: “as controvérsias sobre o uso de animais em experimentação científica vêm ganhando importante destaque”; “as universidades vem conseguindo excelentes descobertas científicas através de pesquisas realizadas com o uso de camundongos”.

3) nas orações subordinadas adverbiais modais, sob forma reduzida, como no enunciado do item 2): “quando é combinado com os verbos (...), indicando uma ação (...)”.

4) como estratégia de dissimulação de autoria: ao começar uma frase com condicionais, como "Pensando sob esse ponto de vista (...)", o enunciador não quer deixar evidente sua condição de autoria, manifesta no equivalente "Penso que".

Há também o “mau gerúndio”, como o “trenzinho verbal” (vou/vai/vão + estar + gerúndio) usado para indicar uma duração que a ação não pede. Ex.: “Nos próximos dias, o presidente vai estar viajando (...)”. Substitua por “viajará” ou até por “vai viajar”.

Oralidade

Substitua termos como “coisa”, “pensando direitinho”, “é claro que”, “querendo ou não” etc.

Pleonasmo/Redundância

Caracteriza-se pela expressão redundante e enfática de uma idéia, ou ao uso inútil de certas palavras ou expressões. É condenado nas situações em que é resultado de distração, não da intenção de dar ênfase a uma idéia. Evite: “unanimidade de todos”, “teto máximo” (de salário), entre muitas outras. Pleonasmo ruim na frase: “Projetos como por exemplo...” — corrija escolhendo ou como ou por exemplo.

Agora veja a diferença de qualidade entre as frases A — com exemplos de redundância — e a frase B — já corrigida:

A – “De acordo com a vontade unânime de todos os implicados na questão, fica estabelecido que a introdução e a incorporação de novos itens ao regulamento obedecerá a critérios a serem definidos oportunamente”.

B – “De acordo com a vontade de todos os implicados na questão, fica estabelecido que a introdução de itens ao regulamento será objeto de uma próxima discussão”.

ANÁLISE E REVISÃO DE TEXTOS DE CANDIDATOS

Tema 1: Elabore um texto dissertativo em que faça uma reflexão sobre os critérios que o levam a escolher um candidato no processo eleitoral. Que características (coerência ideológica, comportamento ético, valores religiosos, competência administrativa etc.) vocês espera que o político tenha? Você se sente influenciado pela propaganda eleitoral (de rádio, de TV e de rua), pela divulgação das pesquisas de intenção de voto, pela opinião de amigos, familiares, professores ou líderes religiosos, pela leitura de jornais e revistas ou por outros fatores?

Análise do tema 1

Leia cuidadosamente o enunciado. Ele é claro: há um verbo de ligação — faça — indicando o que você deve fazer. Logo em seguida, há duas perguntas complementares da orientação anterior.

Essa forma do enunciado nos leva à primeira possibilidade de planejamento: Da orientação tira-se a tese, das duas perguntas tiram-se dois argumentos. Porém lembre-se de que é apenas uma possibilidade dentre várias outras.

Os questionamentos são feitos diretamente ao candidato por meio do pronome de tratamento você. É preciso ter cuidado para não construir seu texto de maneira subjetiva, pessoal. Na verdade, o uso do pronome você é apenas uma estratégia para fazer-lhe refletir sobre o assunto. Seja objetivo e impessoal! As suas respostas, portanto, devem referir-se aos eleitores brasileiros em geral; devem ser uma crítica aos critérios usados pelos eleitores para escolher um candidato no processo eleitoral. Além desses critérios, discuta sobre as características necessárias a um político e a influência da mídia sobre a decisão do eleitor. É fundamental mostrar a consciência do poder do voto, como também a importância de definir critérios para a escolha dos candidatos.

Redação 1 (nota acima da média)

Aprendendo a votar (título)

Escolher um candidato às vésperas de eleições não é tarefa fácil. Especialmente, porque durante seu mandato pouco conhecemos sobre suas ações, pois mantêm-se praticamente anônimos. O horário eleitoral, diário e obrigatório, nos apresenta uma série de opções. Selecionar entre tantos, os melhores, é desconfortável — já que todos se acusam de corrupção, improbidade administrativa, morosidade etc.

O eleitor, por meio de mudanças, escolhe aquele candidato que já conhece, que por conseqüência reelege-se por três ou quatro vezes em cargos públicos diferentes. Votar significa delegar ao eleito, o direito de agir em nome de cada cidadão. Portanto, é necessário que cada brasileiro estabeleça critérios para sua decisão. Não basta apenas, que o candidato tenha formação nas melhores escolas e universidades do mundo. É importante, que pense no conjunto de seu país e lute, incansavelmente, para que os problemas sejam solucionados trazendo benefícios e resultados positivos à maioria da população, entenda-se, aos mais pobres.

O programa de governo de cada partido deve ser consultado visando uma escolha coerente com as urgências da população. Este aspecto precisa ser mais valioso do que aparência, sobrenome e valores religiosos dos candidatos. O eleitor que não se decide por sua própria vontade, acaba incentivado por pesquisas de opinião — optando por aquele que está em primeiro lugar, entendendo também ser vencedor das eleições. De fato, não está errado, também o é.

Cabe a cada votante acompanhar, após as eleições, o dia-a-dia daquele que recebeu sua predileção e confiança. Assim terá uma base sólida para a próxima “corrida”, sem deixar que seu voto mergulhe em seu próprio esquecimento.

Instruções para revisão e reescrita da Redação 1

As falhas da redação foram sublinhadas, corrija-as. Reveja: 1) redundância; 2) vocabulário impreciso; 3) uso de vírgulas; entre outros.

Comentários da banca avaliadora sobre a Redação 1: Unidade e coerência garantem a qualidade o texto

Coerente com a proposta, o texto trata da dificuldade de escolha dos candidatos em época de eleição — em geral um efeito da indecisão, do receio e da descrença na classe política. Num tom crítico e, ao mesmo tempo, sóbrio, o redator procurou mostrar que o comportamento da maioria da população tem raízes na falta de cultura política do país.

Os eleitores pouco acompanham a vida nacional e, em particular, as atividades dos políticos a quem concedem o seu voto. Isso acarreta certo conservadorismo, fruto antes do medo da mudança que da convicção em determinados valores. A troca de acusações feita pelos candidatos tende a alimentar na população a desconfiança que já nutre pela classe política como um todo. Indecisos, muitos eleitores se deixam influenciar pelos números divulgados às vésperas da eleição — afinal, há sempre quem torça pelo time que está ganhando.

O estudante demonstra estar consciente do poder de que é investido o voto e da importância de definir critérios para a escolha dos representantes. Valoriza sobretudo o compromisso do candidato com a população, principalmente com os seus estratos menos favorecidos (de resto, aqueles que mais precisam da ação do Estado). Revela ter visão crítica e capacidade de discernimento.

O parágrafo final alerta para a necessidade de acompanhar a vida política do país e, em especial, as ações daqueles a quem se confia o voto. Só assim se pode, de fato, aprender a votar. O título remete à conclusão, conferindo unidade ao texto.

Tema 2: Há uma série de iniciativas que buscam reduzir a violência nas grandes cidades brasileiras. Elas atuam sobre vários fatores que influem na criminalidade: desemprego, narcotráfico, urbanização, cidadania, qualidade de vida, identidade e família. Redija uma dissertação em que você discuta a questão da violência — suas causas, conseqüências e possíveis soluções.

Análise do tema 2

A proposta pede para discutir causas, conseqüências e possíveis soluções para a questão da violência nas grandes cidades brasileiras. Fuja do óbvio — dizer que a violência cresceu, que é assustadora etc. Discorra sobre as iniciativas que buscam reduzi-la. Contemple também alguns fatores (não obrigatoriamente todos) que influem na criminalidade, conforme listados anteriormente.

Fuja do sensacionalismo, tom comum para esse tipo de tema, em que nossas emoções são envolvidas. Esqueça a mídia e sua espetacularização da violência. Seja objetivo, fundamentando sua opinião com argumentos e provas baseados na racionalidade.

Atente para conceitos como cidadania, qualidade de vida e identidade; se tiver dúvidas sobre o que significam exatamente, prefira discorrer sobre os outros fatores apresentados, nos quais possa ter mais segurança.

Redação 2 (nota abaixo da média)

A difícil arte de viver (título)

Ao sair à rua, ir ao trabalho, à escola ou qualquer outro lugar, o brasileiro está sujeito aos mais diversos tipos de perigo. Com a violência que assombra as nossas vidas, nem em casa estamos seguros.

Não é mais possível identificar quem é polícia e quem é ladrão.

Tiroteios, brigas e assaltos ocorrem a qualquer hora e em qualquer lugar. Quem é o culpado disso?

Minha resposta: a sociedade. Vivemos em uma sociedade de pessoas egoístas e gananciosas que não estendem a mão para ajudar ninguém.

Com o decorrer dos anos, as pessoas, cada vez mais individualistas, são capazes de matar seu próprio irmão para conseguir o que querem.

Vivemos escorraçados da nossa própria liberdade. Mães sofrem ao ver os filhos partindo para a escola, sem saber se irão voltar.

Nosso país necessita de alguém com mão forte para administrá-lo: alguém que imponha respeito, que faça o policial perceber que o bandido não é ele, pelo contrário, seu trabalho é proteger a sociedade. Alguém que dê oportunidade a todos para trabalhar e constituir uma família saudável e educada.

Até agora não nasceu alguém assim. Perdemos a liberdade e o prazer de viver, pois a violência está explícita na porta de nossa casa.

Instruções para revisão e reescrita da Redação 2

As falhas da redação foram sublinhadas, corrija-as. Reveja: 1) desenvolvimento fraco (trata o problema apena de maneira geral; convém analisá-lo, isto é, dividi-lo em partes e examiná-las uma a uma); 2) tendência ao simplismo; 3) tom sensacionalista; 4) título muito genérico (pode servir a textos muito diferentes, que tratam de assuntos muito diversos.

Comentários da banca avaliadora sobre a Redação 2: Retórica tenta disfarçar simplismo de raciocínio

O texto apresenta um tom sensacionalista que poderia — e deveria — ser substituído por um tom mais racional e, portanto, mais adequado à análise de um problema.

Enquanto carrega nas tintas para pintar o quadro da violência no país, o autor do texto economiza na argumentação. Ao indagar quem é o “culpado” dessa situação, assume a crença em uma perspectiva individualista; entende a sociedade como um conjunto de indivíduos egoístas e gananciosos, cujas falhas de caráter são responsáveis pelo caos em que se encontra o país.

Coerente com essa linha de raciocínio, entende que a solução para o problema passa pelo indivíduo. Falta à sociedade um “salvador da pátria”, um indivíduo que, por suas características pessoais, seja capaz de resolver a situação.

O ideal seria analisar as causas do problema, em vez de procurar um culpado. O discurso desenvolvido tenta persuadir por meio da eloqüência de imagens, mas não resiste a uma análise racional. Peca pelo simplismo ao deixar de levar em consideração muitos elementos pertinentes à questão.

Para defender um ponto de vista, é preciso fundamentá-lo. A opinião, que é livre, deve ser construída com argumentos.

Exercícios para melhorar a expressão.

Fonte: Roteiro de Redação: Lendo e argumentando. Antônio Carlos Viana (org.), Ana Valença, Denise Porto Cardoso, Sônia Maria Machado. Scipione, 2000.

ATIVIDADE


1) Reescreva as frases a seguir, substituindo os lugares-comuns por uma linguagem mais apropriada:

a) “O mal de certos políticos é querer agradar a gregos e troianos”.

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b) “O brasileiro aprendeu a viver numa verdadeira corda bamba”.

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c) “A vida do funcionário público está em petição de miséria”.

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2) Substitua os termos grifados por outros mais apropriados à norma urbana de prestígio. Faça as alterações necessárias.

a) A educação é uma coisa com que todo governo deveria se preocupar.

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b) Se o governo não jogar duro contra o crime organizado, a violência será cada vez maior nas grandes cidades.

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3) Livre a redação do eco:

“No ano passado, o Senado chegou a colocar na pauta a discussão da criação do bolsa-chefia, adicional para quem exerce função. Detalhe: esses servidores já recebem gratificação”.

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4) Melhore as frases. Troque adjetivos imprecisos por adjetivos informativos, exclua advérbios e artigos que sobram, elimine o excesso de que, desfaça ambigüidades, corrija os maus paralelismos etc.

a) “O relatório mostra uma Amazônia melhor”.

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b) “De fato, as notícias da violência são preocupantes.”

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c) “Um fato de relevância universal é a admissão de que as alterações climáticas decorrem das obras do homem”.

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d) “O presidente garantiu aos parlamentares que o seu esforço levaria à aprovação da reforma da Previdência Social”.

______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

e) “O homem que dirigia o ônibus foi atingido por uma bala perdida.”

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f) “Mônica, que foi criada há mais de 30 anos por Mauricio de Sousa, ainda encanta as crianças”.

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g) “O presidente reafirmou sua missão e que vai aprovar as reformas este ano”.

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h) “Para ser bom estudante, é preciso ter organização nas leituras, fazer as tarefas com dedicação e nunca copie trabalhos da internet”.

______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

i) “O uso inadequado da água está ligado a fatores como construções irregulares, faltar planejamento das cidades e as pessoas não terem consciência das reais necessidades de consumo”.

______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

j) “As crianças possuem direitos próprios”.

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