sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Aula 6: A incoerência das falácias.

A coerência é o resultado da não contradição entre as partes do texto e do texto com relação ao mundo – isto é, cada ideia exposta não só deve estar condizente com o exposto anteriormente, mas também precisa estar ligado aos pensamentos atuais da sociedade moderna, para não sofrer de “incoerência com a realidade”.

A falta de coerência em um texto é facilmente detectada por um falante da língua, mas não é tão simples notá-la quando é você quem escreve.

Cuidado com o que você ouve, lê ou escreve. Não acredite em tudo. Você deve ter habilidade para lidar com discursos, com textos, com o que lhe dizem, com argumentos que lhe apresentam nos debates do dia-a-dia. Deve ter critérios para aceitar ou rejeitar alguns “argumentos”. Muitos parecem dizer algo coerente, enquanto na verdade são falácias. Essas falácias, como você pode constatar, estão em todos os discursos: na publicidade, na política, nas religiões, na economia, no comércio, etc.

FALÁCIA é, pois, todo o raciocínio aparentemente válido, mas, na realidade, incorreto, que faz cair em erro ou engano.

Como você reagiria, por exemplo, aos enunciados abaixo? Todos eles são falaciosos e devem ser corrigidos.

  1. É melhor exterminar os bandidos: você poderá ser a próxima vítima. (apelo à força) - Apelar à força não é racional, não é argumento; a emoção não tem relação com a verdade ou a falsidade da proposição.
  2. Ele não pode ser condenado: é bom pai de família, contribuiu com a escola, com a igreja, etc. (apelo à piedade; fuga do assunto)
  3. Dizem que um disco voador caiu em Minas Gerais, e os corpos dos alienígenas estão com as Forças Armadas. (apelo ao povo) - Os educadores, os professores, as mães têm o argumento: se todos querem se atirar em alto mar, você também quer? O fato de a maioria acreditar em algo não o torna verdadeiro.
  4. Segundo Schopenhauer, filósofo alemão do séc. XIX, "toda verdade passa por três estágios: primeiro, ela é ridicularizada; segundo, sofre violenta oposição; terceiro, ela é aceita como auto-evidente". (apelo à autoridade) - De fato, riram-se de Copérnico, Galileu e outros. Mas nem todas as verdades passam por esses três estágios: muitas são aceitas sem o ridículo e a oposição. Por exemplo: Einstein. Muitas vezes é perigoso aceitar uma opinião porque simplesmente é defendida por uma autoridade. Isso pode nos levar a erro.
  5. Essas práticas remontam aos princípios da Era Cristã. Como podem ser questionadas? (apelo à antiguidade) - O fato de um grande número de pessoas durante muito tempo ter acreditado que algo é verdadeiro não é motivo para se continuar acreditando.
  6. Brasil: ame-o ou deixe-o. (falso dilema) - Mostre que há outras opções.
  7. A educação é a base do progresso. (axioma ou falso axioma) - Muitas frases de efeito podem ser meras estratégias usadas por alguém que tenta convencer, persuadir o leitor em direção a um argumento. É preciso que haja um debate consistente, não apenas a repetição aleatória de frases retóricas.
  8. A prática de esportes é prejudicial à saúde. (generalização não-qualificada) - É necessário especificar os enunciados. Exemplo: A prática indiscriminada de certos esportes violentos é prejudicial à saúde dos jovens subnutridos.
  9. Todo político é corrupto.

Os padres são pedófilos.

Os mulçumanos são todos uns fanáticos. (generalização apressada) - Em ciência, é preciso o maior número de dados antes de tirar uma conclusão; não se pode usar alguns membros do grupo para julgar todo o grupo. Dois professores ruins não significam uma escola ruim, por exemplo. Uma dúzia de crimes na internet não faz com que o ambiente virtual seja tomado como altamente perigoso. Veja que se trata, na maioria das vezes, de estereótipo: imagem preconcebida de alguém ou de um grupo. Veja também que são fonte de inspiração de muitas piadas racistas, como as piadas de judeus (visto como avarento), de negro (vista como malandro ou pertencente a uma classe inferior), de português (visto no Brasil como sem inteligência), etc. É por isso que essa falácia está intimamente relacionada ao preconceito.

  1. Não se pode confiar num presidente que gosta de beber suas cachacinhas. (ataque à pessoa) - O caráter da pessoa não tem relação com o argumento defendido por ela. Chamar alguém de corrupto, nazista, comunista, ateu, pedófilo, cachaceiro etc. não prova que suas idéias estejam erradas.
  2. O álcool e uma dieta pobre também são grandes assassinos. Deve o governo regular o que vai à nossa mesa? A perseguição à indústria de fumo pode parecer justa, mas também pode ser o começo do fim da liberdade. (Exemplo tirado da Revista Veja, de agosto de 2000, p.36.)

O assassino do Realengo era um usuário freqüente da internet, e sofria bullying no colégio. Isso acarretou uma tragédia que chocou o País recentemente. (generalização apressada) - O fato de que dois eventos aconteçam em seqüência não significa que um seja a causa do outro. Pode ter sido apenas uma coincidência.

  1. Os empregados são como pregos: temos que martelar a cabeça para que cumpram suas funções. (falsa analogia) - Dois objetos ou situações diferem de tal modo que a analogia se torna insustentável. O que vale para uma situação não vale para outra.
  2. Ninguém provou que o sistema de cotas para o ingresso do estudante da escola pública é eficaz na diminuição da desigualdade social. (falácia da ignorância) - Algo pode ser verdadeiro ou falso, mesmo que não haja provas. Também pode ser o caso de uma análise em curso, em que ainda não tenha havido tempo suficiente para apresentar resultados.
  3. A automação cada vez maior das indústrias desemprega muitas pessoas. Isso, portanto, é ruim, economicamente desaconselhável. (exigência de perfeição) - Planos, medidas ou soluções não devem ser vistos como integralmente perfeitos ou prejudiciais. Podem existir objeções para qualquer medida. Analise se as vantagens não superam as desvantagens.

Veja alguns exemplos de como as falácias podem ser transformadas de idéias incoerentes para idéias coerentes. Siga os exemplos para dar coerência aos trechos a seguir:

  1. “A internet está repleta de pessoas de má fé, criminosos, pedófilos.”

Correção: “É preciso ter cuidado com algumas pessoas de má fé que podem ser encontradas na web, mesmo que elas correspondam à maioria dos internautas.”

  1. “O usuário de maconha é agressivo, violento.”

Correção: “O usuário de crack é geralmente agressivo, violento.”

  1. “O bullying pode levar um jovem a cometer assassinatos violentos, como foi o caso do Realengo.”

Correção: “Os traumas resultantes do bullying sofrido na escola, potencializado pelos problemas mentais, pode estar entre as causas de Wellington para o massacre do Realengo”.

Agora é sua vez! Dê coerência às idéias, modificando as frases:

  1. “Se permitirmos o aborto em casos de risco de vida para a mãe nos hospitais públicos, logo todo o mundo vai querer abortar por qualquer motivo, ninguém mais vai valorizar a gravidez e a taxa de natalidade vai acabar despencando, prejudicando a economia do País.”

É inegável que o aborto deve ser permitido nos casos de risco de vida para a mãe nos hospitais públicos.

A legalização do aborto não implica na desvalorização da gravidez ou na queda da taxa de natalidade. No entanto, junto com a descriminalização, é necessária uma política de saúde focada no planejamento familiar, a fim de evitar a gravidez indesejada.

  1. “Se deixarmos o governo vender uma estatal hoje, daqui a dois ou três anos o País inteiro vai estar nas mãos do empresariado internacional.”

É preciso que o País aja com cautela na venda das estatais, para que não perca o controle sobre sua economia e não a deixe nas mãos do empresariado internacional.

  1. “A opção sexual deve ser escolhida com cuidado.”

A orientação sexual do indivíduo deve ser respeitada, e a Constituição deve garantir seus direitos.

  1. “O desemprego vem crescendo no Brasil.”

O desemprego no Brasil vem diminuindo, porém suas taxas ainda são preocupantes.

  1. “O aborto é uma prática perigosa porque é inseguro e arriscado.” (raciocínio circular)

O aborto é uma prática perigosa porque põe em risco a saúde da mulher. Quando feito em clínicas clandestinas, esse risco é potencializado ao extremo. A criminalização dessa prática não reduziu, não reduz e não reduzirá a quantidade de abortos feitos todos os anos pelas mulheres brasileiras. Se legalizado, a decisão pelo aborto ou pela continuidade da gestação provavelmente não mudaria. O que mudaria seriam as condições sanitárias de realização do procedimento, o que diminuiria consideravelmente os riscos para a saúde da gestante.

  1. “É melhor você votar pela condenação do réu ou você pode ser a próxima vítima dele.”

Criminosos devem ser condenados ou inocentados de acordo com a Justiça. A decisão da pena deve ser baseada nas leis, não deve ser fundamentada pela égide do medo.

  1. A lei que reduz o porte de armas de fogo deve ser abolida, pois, desde que entrou em vigor, a criminalidade aumentou.

A lei que limita o porte de armas de fogo pouco ou nada contribuiu para a diminuição da criminalidade no País.

  1. É possível confiar num médico que foi aprovado como cotista no vestibular?

Ainda é cedo para tirar conclusões sobre o programa de cotas para ingresso nas universidades públicas. É preciso esperar que os alunos cotistas concluam o curso e ingressem no mercado de trabalho para que, a partir daí, possam ser feitas pesquisas a fim de analisá-los como profissionais.

  1. Os padres são pedófilos, mulherengos, só pensam em dinheiro.

A população já teve conhecimento de padres que quebraram violentamente os votos de celibato e de pobreza, e até de religiosos pedófilos. Contudo, isso diz respeito a uma pequena parte deles, o que não invalida o reconhecimento social destinado à Igreja Católica.

  1. Tratava-se de discutir e eleger o perfil do professor ideal: ele seria autoritário ou deveria dar plena liberdade aos alunos?

Não há um perfil de professor “ideal”. Cada instituição de ensino tem sua proposta pedagógica, assim como os pais têm seus anseios sobre a educação dos seus filhos. O perfil do docente deve, então, ser compatível com essas duas instâncias.

  1. Os índices de analfabetismo têm aumentado muito depois do advento da televisão. Obviamente ela compromete a aprendizagem.

Entre as causas do analfabetismo, estariam, por exemplo: o cansaço depois da longa jornada diária de trabalho; o desemprego; a falta de auto-estima dos alunos; o despreparo de pais analfabetos que, sem estímulo, não vêem perspectivas em mandar seus filhos à escola; a falta de instituições de ensino próximas à moradia e a distância entre as cidades e a zona rural. Esses fatores contribuem para que os estudantes em potencial se acomodem em trabalhos braçais, que não exigem domínio da leitura.

  1. A grande maioria das pessoas deste país é favorável à pena de morte como meio de reduzir a violência. Ser contra a pena de morte é, pois, ridículo.

A maioria da população brasileira é favorável à pena de morte como meio de reduzir a violência, segundo pesquisas. No entanto, essa grande aceitação não invalida um posicionamento contrário a esse tipo de pena.

  1. Não é preciso conhecer matemática para vencer na vida. Meus conhecimentos dessa matéria não vão além das quatro operações e das frações ordinárias; no entanto tenho um salário maior do que o de muitos engenheiros.

Para se ter um bom emprego e um bom salário, geralmente é necessário ter formação acadêmica. No entanto, isso não é regra, e há casos em que o indivíduo consegue-os com o mínimo de escolaridade, como por exemplo alguns jogadores de futebol milionários.

Aula 6: Qualidades e defeitos da redação de vestibular.

a) QUALIDADES

1. Analogia e metáfora: Seja criativo/a; busque pontos de semelhança entre diferentes.

- “Esmola é peixe estragado, impróprio para o consumo. Dar esmolas é um ato imediatista que, embora possa ter intenções nobres, não resolve o problema da miséria nacional — são dados cabeças e rabos de peixes, restos que não alimentam e que ofendem a dignidade do indivíduo que os recebe. Além disso, transfere-se para o cidadão uma responsabilidade social própria do governo — que, além de ensinar a pescar, deve preparar rios e mares para que dêem aos famintos peixes grandes e saudáveis”.

- “O respeito ao ouro e às regras da boa convivência sumiu das prateleiras. Produto raro de que poucos ainda fazem uso”. (Redação de aluno)

- “Embora a vida real não seja um jogo, mas algo muito sério, o xadrez pode ilustrar o fato de que, numa relação entre pais e filhos, não se pode planejar mais que uns poucos lances adiante. No xadrez, cada jogada depende da resposta à anterior, pois o jogador não pode seguir seus planos sem considerar os contra-ataques do adversário, senão será prontamente abatido. O mesmo acontecerá com um pai que tentar seguir um plano preconcebido, sem adaptar sua forma de agir às respostas do filho, sem reavaliar as constantes mudanças da situação geral, na medida em que se apresentam”. (Bruno Betelheim, adaptado)

2. Citação/Hipertexto: Não se trata de simples referência a grandes pensadores. Trata-se de um reforço argumentativo bem colocado e compatível com a proposta. A citação pode ser direta (através de aspas duplas) ou indireta.

- “Quando Darwin propôs a evolução, ou Freud, a interpretação dos sonhos, ambos receberam o mesmo título: loucos. Sem dúvida, quando a sociedade de depara com conjecturas e posturas que põem em xeque seus modos de pensar e de agir, é compreensível que ocorra certo medo e aversão”. (Citação indireta.)

- “A busca pela imagem perfeita é inatingível e causa apenas frustração. Independente da imagem que tenhamos, é essencial que cuidemos da nossa saúde corporal e mental. As muito belas que me perdoem, Vinicius, mas a autoestima, sim, é fundamental”. (Citação indireta; texto original: “As muito feias que me perdoem/
Mas beleza é fundamental”, do poema “Receita de mulher”.)

- “Nelson Rodrigues ilustra bem o senso comum dos adultos sobre a adolescência: ‘O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: o da inexperiência’”. (Citação direta.)

3. Exemplificações

- “A condição de normalidade é imposta a um determinado grupo ou pessoa por aqueles que se pré-estabeleceram normais. Esse processo pôde ser observado no período da colonização brasileira, por exemplo, na qual os portugueses julgaram os índios seguindo seus padrões europeus e assim, para torná-los normais, fizeram-nos viver segundo o modelo de vida português.”

- “Os modernistas brasileiros revolucionaram a construção poética em 1922 sendo considerados não só anormais, mas loucos.”

4. Precisão no vocabulário

Exemplos: o movimento militar de 1964 no Brasil é chamado de “golpe de 1964” por quem o reprova e de “revolução de 1964” por quem o aprova; Fidel Castro é chamado de “presidente” por aqueles que simpatizam com ele e com o regime de Cuba, mas de “ditador” por aqueles que reprovam a ele e ao regime político que representa.

b) DEFEITOS

1. Clichê/lugar-comum: É considerada uma das falhas mais preocupantes dos candidatos ao vestibular. Procure dar informações mais específicas, pormenorizar as ideias.

NÃO devemos usar: “pedra sobre pedra”, “encerrar com chave de ouro”, “quatro cantos”, “estaca zero”, “arregaçar as mangas”, “assistir de braços cruzados”, “de importância vital”, “esmagadora maioria”, “trata-se de mera coincidência”, “pura realidade”, “verdade nua e crua”, “única e exclusivamente”, “pelo andar da carruagem”, “show de bola”, “correr atrás do prejuízo”, “a mil”, “vale a pena conferir” etc. Claro está que, com criatividade, é possível fazer uso estilístico de qualquer expressão.

Veja outros exemplos e como fugir deles:

- “Desde os primórdios da humanidade o homem tem-se mostrado cruel com seus semelhantes”. Evite “Desde a Antiguidade”, “Atualmente”, “Hoje em dia” etc.

Seja mais específico na indicação temporal: “Há mais de vinte anos, o nosso direito à liberdade de expressão foi garantido constitucionalmente”; “As mulheres invadiram a política brasileira nas últimas décadas”.

- “As pessoas saem de casa sem saber se vão voltar”.

Exemplifique: “Inseguras, as pessoas sente medo do que lhes possa acontecer até mesmo quando se dirigem ao trabalho ou à escola”.

- “É preciso lembrar que dinheiro não traz felicidade”. Parece demagógico. Elimine.

- “A juventude é o futuro do país”.

Explique o porquê: “É nos jovens que o país deposita a esperança de mudanças significativas, sobretudo no cenário político”.

- “Se cada um fizer a sua parte, certamente viveremos um mundo melhor”.

Vago. Especifique: “É preciso que tanto os cidadãos quanto as autoridades e demais instituições se empenhem no cumprimento de suas responsabilidades, a fim de que se promova maior estabilidade social”.

- “As pessoas mal conseguem respirar nesta selva de pedra”.

Prefira: “Nas metrópoles, o índice de poluição do ar vem aumentando a cada dia”.

- “Em relação à crise aérea, ainda não conseguiu se chegar a um denominador comum. Continua-se num jogo de empurra-empurra sobre quem tem culpa pelos recentes acidentes ocorridos no país”.

Repete o que é divulgado nos meios de comunicação. Além disso, é retórica vazia.

- “É conveniente para o governo que a população permaneça sem instrução, porque assim é fácil manipulá-la”. Evite a tendência simplista de atribuir ao governo a responsabilidade direta por todos os problemas do país. Aprofunde o debate: “Não se nota empenho, por parte das autoridades, em investir na qualidade da educação, o que pode manter a população na ignorância, como refém das promessas eleitorais”.

- “Nem os monstros sagrados da literatura e do cinema escaparam da crítica”.

É capaz de citar nomes? Então o faça.

- “O governo precisa dar mais atenção à voz rouca das ruas, que clama pelo fim da impunidade”.

Diga de que maneira: “É preciso que nossos representantes políticos prestem mais atenção às reivindicações dos eleitores, que já não aceitam assistir passivamente à impunidade”.

- “Apesar de tudo, ainda há uma luz no fim do túnel”.

Apresente uma proposta real: “A despeito dos obstáculos, ainda existe a possibilidade de se reverter o quadro de corrupção que assola o Congresso. Para isso, precisamos propagar a importância da participação nas eleições por meio do voto”.

2. Generalização/preconceito/estereótipo

Evite construir “teses” apoiadas em estereótipos ou em afirmações preconceituosas. Exemplo: “O brasileiro é preguiçoso”, “O povo não sabe votar” etc.

Aula 5: Escrever - as partes do texto argumentativo-dissertativo.

Introdução

É muito difícil escrever sem saber de onde estamos partindo. Se há um planejamento adequado e caminhos bem traçados, a introdução torna-se apenas uma questão de escolha dentro de várias possibilidades.

Na introdução, apresente o tema. Para fazê-lo, contextualize a situação-problema. Traga seu ponto de vista exposto claramente em uma tese. Não se esqueça de recuperar as palavras-chave, repetindo-as ou utilizando sinônimos ou ainda capturando idéias.

Cuidado para não esgotar o tema no 1º parágrafo. Este deve apenas apontar a questão que vai ser desenvolvida nos parágrafos seguintes.

Uma linha apenas para a introdução é inaceitável. Uma frase é pouco. Numa redação de 20 a 30 linhas, destine para a introdução entre 4 a 6 linhas (cerca de 20% do texto), escrevendo 2 ou 3 frases. Para fisgar o leitor, você pode fazer a 1ª frase do texto ser curta e impactante.

Como fazer a Introdução

1. Colocando e limitando o problema:

“O preconceito contra o negro é circunstância que se pode observar, no Brasil, em toda a história da sociedade contemporânea e deve ser visto sempre como resquício do sistema escravocrata a que o país esteve submetido desde sua descoberta até o fim do século XIX.”

2. Apresentando dados estatísticos: precisam ser acompanhados de idéias, sozinhos não bastam.

“Atualmente, cerca de 58 milhões de brasileiros dormem com fome todos os dias, ou seja, um terço da população que se encontra abaixo da linha da pobreza e que forma os 33% de população marginalizada do nosso país.”

3. Contestando idéias: a sua posição é logo delineada, numa espécie de contra-argumentação.

“Embora se divulgue largamente que a mulher está conquistando espaços tipicamente masculinos, é preciso observar que isso nem sempre se configura como realidade.”

4. Dividindo:

“Predominam ainda no Brasil duas convicções errôneas sobre o problema da exclusão social: a de que ela deve ser enfrentada apenas pelo poder público e a de que sua superação envolve muitos recursos e esforços extraordinários.”

5. Perguntando: a pergunta deve ser respondida ao longo da argumentação.

“Será que é com novos impostos que a saúde melhorará no Brasil? Os contribuintes já estão cansados de tirar dinheiro do bolso para tapar um buraco que parece não ter fim.”

6. Citando diretamente:

“’As pessoas chegam ao ponto de uma criança morrer e os pais não chorarem mais, trazerem a criança, jogarem num bolo de mortos, virarem as costas e irem embora.’ O comentário, do fotógrafo Sebastião Salgado, falando sobre o que viu em Ruanda, é um acicate no estado de letargia ética que domina algumas nações do Primeiro Mundo.”

7. Citando indiretamente: esse recurso deve ser usado se você não souber textualmente a citação.

“Para Marx, a religião é o ópio do povo. Raymond Aron deu o troco: o marxismo é o ópio dos intelectuais. Mas nos Estados Unidos o ópio do povo mesmo é ir às compras.”

8. Fazendo uma alusão histórica:

“Após a queda do Muro de Berlim, acabaram-se os antagonismos leste-oeste e o mundo parece ter aberto de vez as portas para a globalização. As fronteiras foram derrubadas e a economia entrou em rota de acelerada competição.”

9. Atribuindo adjetivos: nos parágrafos seguintes, você deve explicar a escolha dos adjetivos.

“Equivocada e pouco racional. Esta é a verdadeira adjetivação para a política educacional do governo.”

10. Fazendo uso de linguagem figurativa: ao longo do texto, devem ser acrescidas abordagens não-metafóricas.

“A corrupção é ferida nacional que todos nós, em conjunto esforço, devemos curar.”

Evite

1. O excesso de generalização;

2. Começar já no meio da questão, sem antes contextualizar o tema;

3. Pressupor que o leitor já sabe do que trata o texto;

4. Usar clichês, como: Na sociedade capitalista/globalizada em que vivemos (fuja disso!); Desde a Antiguidade / os tempos remotos; A cada dia que passa; O mundo de hoje.

Desenvolvimento

Em um espaço de 20 a 30 linhas, o mais comum é trabalhar com 2 argumentos, talvez 3; o 3º parágrafo do Desenvolvimento pode ser usado para a contra-argumentação.

Para cada argumento, um novo parágrafo. Escolha o de maior força para iniciar o Desenvolvimento. Cerca de 60% de sua redação deve corresponder ao desenvolvimento, pois é nele que está a força do texto argumentativo. Ou seja, num texto de 20 a 30 linhas, para cada um dos 2 ou 3 parágrafos de desenvolvimento, use de 6 a 9 linhas.

Se a instituição apresentar a temática e, em seguida, oferecer tópicos — como geralmente faz a Cespe, que elabora a prova do MPU — desenvolva cada um deles, mantendo a ordem em que apareceram. Evite a inversão. Use, no mínimo, um parágrafo para cada tópico.

No desenvolvimento, deve-se oferecer a progressão temática do texto, mantendo uma sequência lógica do pensamento. Aos responder aos tópicos, não se pode esquecer a ligação entre os parágrafos nem a articulação dos períodos. Não responda de forma fragmentada. Devem ser evitados os parágrafos longos ou curtos demais.

Como fazer os parágrafos de Desenvolvimento

Ao construir um parágrafo argumentativo, procure colocar a sua idéia central no início dele. Use a frase já feita para o planejamento — aquela que você encaixou em ARG. 1, ARG. 2 e ARG.3. Essa frase, que contém o resumo do seu argumento, pode ser chamada de tópico frasal.

As outras frases do parágrafo devem explanar (comentar) esse tópico proposto no início. Faça mais 1 ou 2 frases comentando o tópico frasal. Depois, traga provas para seus argumentos. Elas são importantes, pois dão validade às suas idéias, conferem-lhe estatuto de verdade.

Por fim, conclua o parágrafo com uma última frase.

Ao total, serão cerca de 5 frases para desenvolver cada um dos argumentos num texto de 20 a 30 linhas.

J É possível argumentar por:

1. Exemplificação simples: exposição de dados conhecidos, divulgados por meios de comunicação.

“A presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Maria Helena Guimarães de Castro, calcula em 7 milhões os casos mais graves, nos quais o atraso escolar é de duas séries ou mais.”

2. Argumentação histórica, fazendo trajetórias comparativas (sócio-político-culturais ou geográficas):

“O número de anos que um trabalhador coreano gastou estudando antes de obter um emprego chega a ser o dobro do tempo passado na escola por um empregado brasileiro. Essa diferença na qualificação da mão-de-obra faz a diferença...”

3. Hipótese:

“Nesse ritmo, e com o decréscimo do número de jovens em idade escolar nas próximas gerações, será mais difícil para o Brasil aumentar sensivelmente a escolaridade de sua força de trabalho e, assim, conseguir competir em pé de igualdade com seus concorrentes comerciais da Ásia, por exemplo.”

4. Interrogação, questionamento, reflexão:

“O que aconteceu historicamente? O que aconteceu socialmente? Desvalorizados no salário, desvalorizados no status, o próprio recrutamento desses professores passou a ser feito entre aqueles que tiveram acesso aos cursos de pior qualidade.”

5. Definição:

“Municipalização no ensino é quando o governo do Estado transfere para as prefeituras a responsabilidade de gerir escola; para tanto, é preciso transferir recursos, treinar pessoal técnico-administrativo e conseguir apoio da comunidade para o desenvolvimento integral dos alunos.”

6. Constatação:

“É muito diferente a possibilidade de municipalização (da educação) em município rico, em município pobre, em município grande, em município pequeno.”

7. Questionamento de valores, juízos e conceitos:

“Não adianta, por exemplo, pôr muito dinheiro nas escolas sem equacionar a formação dos professores — o problema central do ensino brasileiro; também não adianta ter políticas públicas que não levem em conta diferenças regionais.”

8. Antecipações eventuais de resultados:

“Vejo quatro pontos fundamentais para melhorar a qualidade da escola. O primeiro é a busca da melhoria permanente de professores, o segundo é a direção da escola, o terceiro é a autonomia da escola, o último é a auto-avaliação. Caso as instituições se dignem a, insistentemente, serem seus próprios juízes, julgadores, teremos em meados do século XXI uma escola de verdade.”

9. Oferecimento de dados estatísticos:

“De cada 1.000 alunos que se matriculam na primeira série de uma escola pública, apenas 43 se formarão dentro do tempo mínimo de 8 anos. Em média, os que conseguirão chegar ao final do curso demorarão 12 anos para obter seu diploma.”

10. Causa-consequência:

“A situação do Sul hoje é melhor do que a do Sudeste porque existe uma cultura de valorização da escola por parte da população que, inclusive, permeia e pressiona os governantes. Essa cultura não existe em outras regiões.”

Contra-argumentação

Também é possível contra-argumentar. Ou seja, refutar os argumentos que possam contrariar sua tese ou suas provas.

TESE: O vestibular privilegia os candidatos pertencentes às classes mais favorecidas economicamente.

CONTRA-ARGUMENTO: “Mesmo que o acesso à universidade fosse facilitado para candidatos de condição econômica inferior, o problema não seria resolvido, pois a falta de um aprendizado sólido, no primeiro e segundo grau, comprometeria o ritmo do curso superior”.

J Existem inúmeros outros tipos de argumentação, os chamados mistos. Misture dois ou mais aspectos nos parágrafos de Desenvolvimento.

Conclusão

Conclusão não é repetição de nada, mas apenas um resgate da idéias anteriores — resgate, não cópia —acrescidas de uma nota pessoal, uma crítica, uma sugestão ou, até mesmo, uma exposição da dificuldade em se posicionar sobre o tema. Apresente as considerações finais, reforçando a temática.

Ela deve retomar o pretexto inicial da redação. Assim, fica claro que sua relação de argumentos está chegando ao fim. Além disso, esse formato atesta que aquele pretexto não foi usado em vão.

Evite começar um novo assunto que não foi tratado no texto, citar exemplos, testemunhos ou dados novos. Isso deve ser feito no desenvolvimento.

Caso seu texto tenha cunho social, prefira sugerir uma boa saída para o problema levantado e discutido, uma hipótese de solução. A hipótese deve ser viável, exeqüível. Fuja de falsas soluções como “cada um deve fazer a sua parte”. Bom mesmo é mostrar, nessa hora, que você conhece um pouco de política, economia.

Para iniciar a conclusão, evite usar elementos coesivos já desgastados, como: Concluindo, Diante do exposto, Conforme o mencionado, Em suma, Por fim, Finalmente, Conclui-se que, Assim se conclui... Prefira: Diante disso, Dessa forma, Resta saber se... Você também pode iniciar o parágrafo com um substantivo ou com um verbo no infinitivo.

Como fazer a Conclusão

1. Resumindo a argumentação ou reapresentando e sintetizando os dados da tese: São os tipos mais comuns, mais fáceis, porém nem sempre os mais recomendados.

“É necessário implantarmos em nossas crianças o valor do respeito, da honra e da honestidade. Dessa forma, teremos uma sociedade digna e evoluída moralmente.”

2. Apontando soluções para os problemas discutidos no corpo da argumentação: Embora de caráter hipotético, a solução proposta deve ser viável.

“Portanto, é imprescindível estancar o desmatamento na Amazônia por meio de uma ação efetiva do governo junto àqueles que desmatam sem autorização.”

3. Interrogando (no sentido de ironia, humor ou crítica) ou apresentando um elemento novo, uma pequena história-encaixe, uma citação: Deve ser feito de forma crítica, provocando reflexão no leitor. Caso seja uma interrogação, nunca se dirija ao leitor; é você, não ele, quem deverá responder às questões levantadas.

“A lei que proíbe as chacotas com os políticos ri de quem? Da democracia brasileira. A decisão do TSE, se não fosse trágica, seria cômica.”

Jogos de palavras, desde que bem empregados, podem ser uma boa estratégia.

4. Fazendo uma previsão: Servirá de alerta de como o tema da redação se desenvolverá no futuro.

“A fim de os povos conquistarem a liberdade, os países desenvolvidos devem repensar sua política capitalista e promover uma política cuja preocupação seja oferecer às outras nações condições de ascenderem economicamente. A partir daí, a população mundial do século 21 poderá julgar-se livre.”

J Em linhas gerais, para escrever um texto você deve:

1. Escolher uma tese como ponto de partida;

2. Escolher dois ou três argumentos fortes, ou, no caso da proposta em tópicos, desenvolver cada um deles;

3. Não perder de vista as palavras-chave da tese;

4. Orientar a argumentação para uma conclusão coerente com a tese. Leia a introdução, pule o desenvolvimento e vá para a conclusão. Há coerência entre os dois? O círculo foi fechado?

Depois de escrito o texto, para verificar se não fugiu ao tema, observe se:

a) a(s) palavra-chave(s) se propaga(m) por todos os parágrafos.

b) você consegue esquematizar seu texto com clareza, unindo tese, argumentos e conclusão.

Redação Nota 10,0 (texto de aluno)

A expansão dos cursos ministrados à distância aproximou o ensino superior do cotidiano de milhões de brasileiros. Através de suas facilidades, tornou-se possível o acesso à educação de qualidade nas diversas camadas sociais e em qualquer parte do país. São, portanto, uma alternativa eficiente de inclusão educacional e social.

O território brasileiro é muito vasto e existem muitas regiões que não possuem instituições de ensino. São verdadeiros “vazios educacionais” que se espalham pelo interior dos estados e somente podem ser alcançados pela versatilidade da educação à distância (EAD). Outrossim, mesmo nas capitais, as universidades presenciais não são capazes de absorver a demanda pelo curso superior. Por outro lado, o Ead atende a um maior número de alunos, com professores capacitados e baixo custo.

Além disso, a qualidade dos cursos é garantida pelos avançados recursos tecnológicos que fornecem suporte para a interatividade professor/aluno. Mediante uma plataforma virtual, o estudante acessa conteúdo didático, aulas e conferências com outros alunos e professores. A teoria aprendida em casa é, então, ratificada com aulas práticas semelhantes às do modelo tradicional, nos pólos regionais. E a riqueza do método é também confirmada pela autonomia e responsabilidade adquiridas devido à participação ativa dos alunos e pela socialização devida ao contato entre estudantes das mais variadas realidades.

A educação à distância é a melhor forma de universalizar o ensino superior de modo rápido e eficiente. Sua versatilidade possibilita a atuação em qualquer região do país e a excelência de seu método garante a qualidade dos novos profissionais. E qualificação profissional significa qualidade de vida.


¨ Quer saber mais?

Roteiro de redação: lendo e argumentando. Antônio Carlos Viana (coord.), Ana Valença, Denise Porto Cardoso e Sônia Maria Machado. Scipione, 2000.

Redação: Ensino Médio, livro único. Sistema de Ensino Poliedro, por Esther Pereira Silveira Rosado. 1ª edição. 2010.

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Aula 4: Planejar – esquema de redação para concurso, do tipo dissertativo-argumentativa.

J Difícil escrever bem se não há um roteiro. Ele determina a estrutura e o conteúdo do texto e, sem ele, sua redação corre o risco de virar uma embolada sem sentido ou uma discussão que não sai do lugar.

Veja um exemplo de planejamento:

TEMA: A cobertura de casos violentos pela mídia televisiva.

PALAVRAS-CHAVE: televisão e violência. (assunto)

TESE ou PRESSUPOSTO: A televisão banaliza a violência ao transmitir casos de maneira sensacionalista e irresponsável.

ARGUMENTO 1:

Idéia principal: Expor casos violentos como se fossem histórias de ficção policial, com excesso de técnicas narrativas, é fazê-lo de maneira sensacionalista, tornando a violência um espetáculo público. (tópico frasal)

Idéias secundárias: Exemplos como o programa de TV Linha Direta. Casos como o assassinato da adolescente Eloá Pimentel e o seqüestro do Ônibus 174. Potencialização do comportamento agressivo do público, que vê o malfeitor como uma espécie de astro de um seriado policial.

ARGUMENTO 2:

Idéia principal: A mídia televisiva também erra ao colocar-se como júri, acusando ou defendendo suspeitos de modo precipitado e irresponsável. (tópico frasal)

Idéias secundárias: Caso da Escola Base. Os veículos de comunicação social têm plena liberdade de informação jornalística, porém, ao julgar acusados como culpados ou inocentes, a TV ultrapassa limites e mostra-se antiética.

CONCLUSÃO: As emissoras de TV devem ser testemunhas da violência real que ameaça a todos nós, porém de maneira ética e comprometida, respeitando os direitos humanos.

J Elaborado o planejamento, você já tem um bom esqueleto da redação! Mas lembre-se: isso é um planejamento e, como tal, pode ser modificado de acordo com suas necessidades e seus objetivos.

O direcionamento do tema é sempre produto de uma escolha. Pense de antemão que caminho você pretende tomar, para onde quer conduzir sua argumentação. Para isso, é preciso ter uma posição definida em relação ao assunto, criar uma tese (ou pressuposto) a partir da qual você vai encaminhá-lo, a fim de deixar bem claro seu ponto de vista.

Um bom planejamento é fundamental para a produção de um texto eficiente! Por isso, treine! Tenha idéias antes de escrever. Pensar vem sempre antes de escrever.

Determinação da tese

Encontre as palavras-chave do tema: qual é o assunto abordado? Formule mentalmente um pensamento sobre o assunto antes de começar o trabalho de redação propriamente dito. Esse pensamento chegará a partir das análises que você fará da realidade que o cerca, dos seus valores, do modo como enxerga e relaciona os fatos, do seu conhecimento de mundo. Sendo assim, escrever uma tese eficiente só dependerá de você.

A tese tem que ser expressa com clareza e dar margem a questionamentos. Ela é uma espécie de “idéia fixa” que o acompanhará do princípio ao fim do texto. Se você parte de uma tese fraca, que não suscite questões, sua redação dificilmente terá qualidade.

Detecção de argumentos

Pergunte por quê? ou como? à sua tese. As respostas serão seus argumentos, e cada uma delas servirá de base para a construção dos parágrafos.

Nossa capacidade de convencer o leitor depende da ordenação e da força de nossos argumentos. As melhores idéias se perdem se usarmos argumentos fracos ou se não soubermos ligá-los. O encaminhamento do texto, fundado nos argumentos, revela ao mesmo tempo nossa capacidade de criação, avaliação e crítica. Nosso discurso deve passar ao leitor determinados questionamentos, observações e conclusões sobre o tema.

Sustentação de argumentos

1. Argumentos de valor universal: aqueles que dão pouca ou nenhuma margem à refutação. Por exemplo: Sem resolver os problemas da família não se resolvem os das crianças de rua. Evite afirmações baseadas em emoções, sentimentos, preconceitos, crenças (especialmente as religiosas), porque são argumentos muito pessoais. Podem convencer algumas pessoas, mas não todas.

2. Dados colhidos na realidade: as informações têm de ser exatas e de conhecimento geral. Tornam-se mais confiáveis quando você expõe a fonte. Por exemplo: De acordo com pesquisas do IBGE, (...); Foi recentemente matéria de capa da revista Veja um caso (...).

3. Citações de autoridades: Ler revistas e jornais ajuda muito. Lembre-se: o povo não é autoridade! Então, só use ditados populares se tiver experiência na escrita e souber bem como fazê-lo. Ditados populares não servem como argumento! Tenha cuidado também com a confusão entre autores de frases célebres. Se há dúvida sobre o autor, prefira algo do tipo: “Só sei que nada sei” — nos ensina a antiga máxima filosófica.

4. Exemplos e ilustrações: Recorra a exemplos conhecidos, a fatos que ilustrem.

Exemplo de esquema (I)

Veja o processo de construção de um planejamento:

TEMA: A imprensa e a denúncia dos casos de corrupção.

PALAVRAS-CHAVE: imprensa e corrupção.

Pensando sobre o tema, lembramos os noticiários dos jornais, da TV e do rádio sobre corrupção. Após muito refletir, chegamos à conclusão de que não estava havendo muita seriedade por parte da imprensa em suas denúncias, pois nem todas eram comprovadas. Muitas pareciam brincadeira porque, com o tempo, ninguém era capaz de trazer provas concretas que incriminassem as pessoas envolvidas. A partir daí, chegamos a uma tese:

TESE: A imprensa não pode ser leviana quando denuncia casos de corrupção.

Façamos a pergunta à tese:

Por que a imprensa não pode ser leviana quando denuncia casos de corrupção?

As respostas serão os argumentos:

Porque...

ARG. 1: A denúncia da imprensa é o instrumento mais importante de que dispõe a democracia para combater a corrupção e saber o que acontece por trás dos bastidores.

ARG. 2: A sociedade precisa ter acesso a fatos que convençam.

ARG. 3: A corrupção não pode tornar-se mais uma distração para os brasileiros.

Com uma conjunção conclusiva após cada um dos argumentos, retomamos no parágrafo conclusivo o que dissemos no inicial, amarrando o texto.

Por isso...

CONCLUSÃO: A imprensa deve apresentar a denúncia com o máximo possível de provas.

J Nesse esquema, nada está fora do lugar, pois todas as suas partes ordenam-se com perfeição. Os argumentos convencem e a conclusão a que chegamos está bem ajustada a eles. Esse esquema pode ser estendido à construção argumentativa de qualquer texto. O que pode variar é o número de argumentos.

Exemplo de esquema (II)

TEMA: A miséria.

TESE: É constrangedora a convivência com a miséria.

ARGUMENTO: Ninguém em sã consciência gosta de ver seus semelhantes vivendo precariamente.

CONCLUSÃO: A sociedade deve ser menos passiva diante da miséria.

PRESSUPOSTO


ARGUMENTO 1 + ARGUMENTO 2 + ARGUMENTO 3


CONCLUSÃO