sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Aula 4: Planejar – esquema de redação para concurso, do tipo dissertativo-argumentativa.

J Difícil escrever bem se não há um roteiro. Ele determina a estrutura e o conteúdo do texto e, sem ele, sua redação corre o risco de virar uma embolada sem sentido ou uma discussão que não sai do lugar.

Veja um exemplo de planejamento:

TEMA: A cobertura de casos violentos pela mídia televisiva.

PALAVRAS-CHAVE: televisão e violência. (assunto)

TESE ou PRESSUPOSTO: A televisão banaliza a violência ao transmitir casos de maneira sensacionalista e irresponsável.

ARGUMENTO 1:

Idéia principal: Expor casos violentos como se fossem histórias de ficção policial, com excesso de técnicas narrativas, é fazê-lo de maneira sensacionalista, tornando a violência um espetáculo público. (tópico frasal)

Idéias secundárias: Exemplos como o programa de TV Linha Direta. Casos como o assassinato da adolescente Eloá Pimentel e o seqüestro do Ônibus 174. Potencialização do comportamento agressivo do público, que vê o malfeitor como uma espécie de astro de um seriado policial.

ARGUMENTO 2:

Idéia principal: A mídia televisiva também erra ao colocar-se como júri, acusando ou defendendo suspeitos de modo precipitado e irresponsável. (tópico frasal)

Idéias secundárias: Caso da Escola Base. Os veículos de comunicação social têm plena liberdade de informação jornalística, porém, ao julgar acusados como culpados ou inocentes, a TV ultrapassa limites e mostra-se antiética.

CONCLUSÃO: As emissoras de TV devem ser testemunhas da violência real que ameaça a todos nós, porém de maneira ética e comprometida, respeitando os direitos humanos.

J Elaborado o planejamento, você já tem um bom esqueleto da redação! Mas lembre-se: isso é um planejamento e, como tal, pode ser modificado de acordo com suas necessidades e seus objetivos.

O direcionamento do tema é sempre produto de uma escolha. Pense de antemão que caminho você pretende tomar, para onde quer conduzir sua argumentação. Para isso, é preciso ter uma posição definida em relação ao assunto, criar uma tese (ou pressuposto) a partir da qual você vai encaminhá-lo, a fim de deixar bem claro seu ponto de vista.

Um bom planejamento é fundamental para a produção de um texto eficiente! Por isso, treine! Tenha idéias antes de escrever. Pensar vem sempre antes de escrever.

Determinação da tese

Encontre as palavras-chave do tema: qual é o assunto abordado? Formule mentalmente um pensamento sobre o assunto antes de começar o trabalho de redação propriamente dito. Esse pensamento chegará a partir das análises que você fará da realidade que o cerca, dos seus valores, do modo como enxerga e relaciona os fatos, do seu conhecimento de mundo. Sendo assim, escrever uma tese eficiente só dependerá de você.

A tese tem que ser expressa com clareza e dar margem a questionamentos. Ela é uma espécie de “idéia fixa” que o acompanhará do princípio ao fim do texto. Se você parte de uma tese fraca, que não suscite questões, sua redação dificilmente terá qualidade.

Detecção de argumentos

Pergunte por quê? ou como? à sua tese. As respostas serão seus argumentos, e cada uma delas servirá de base para a construção dos parágrafos.

Nossa capacidade de convencer o leitor depende da ordenação e da força de nossos argumentos. As melhores idéias se perdem se usarmos argumentos fracos ou se não soubermos ligá-los. O encaminhamento do texto, fundado nos argumentos, revela ao mesmo tempo nossa capacidade de criação, avaliação e crítica. Nosso discurso deve passar ao leitor determinados questionamentos, observações e conclusões sobre o tema.

Sustentação de argumentos

1. Argumentos de valor universal: aqueles que dão pouca ou nenhuma margem à refutação. Por exemplo: Sem resolver os problemas da família não se resolvem os das crianças de rua. Evite afirmações baseadas em emoções, sentimentos, preconceitos, crenças (especialmente as religiosas), porque são argumentos muito pessoais. Podem convencer algumas pessoas, mas não todas.

2. Dados colhidos na realidade: as informações têm de ser exatas e de conhecimento geral. Tornam-se mais confiáveis quando você expõe a fonte. Por exemplo: De acordo com pesquisas do IBGE, (...); Foi recentemente matéria de capa da revista Veja um caso (...).

3. Citações de autoridades: Ler revistas e jornais ajuda muito. Lembre-se: o povo não é autoridade! Então, só use ditados populares se tiver experiência na escrita e souber bem como fazê-lo. Ditados populares não servem como argumento! Tenha cuidado também com a confusão entre autores de frases célebres. Se há dúvida sobre o autor, prefira algo do tipo: “Só sei que nada sei” — nos ensina a antiga máxima filosófica.

4. Exemplos e ilustrações: Recorra a exemplos conhecidos, a fatos que ilustrem.

Exemplo de esquema (I)

Veja o processo de construção de um planejamento:

TEMA: A imprensa e a denúncia dos casos de corrupção.

PALAVRAS-CHAVE: imprensa e corrupção.

Pensando sobre o tema, lembramos os noticiários dos jornais, da TV e do rádio sobre corrupção. Após muito refletir, chegamos à conclusão de que não estava havendo muita seriedade por parte da imprensa em suas denúncias, pois nem todas eram comprovadas. Muitas pareciam brincadeira porque, com o tempo, ninguém era capaz de trazer provas concretas que incriminassem as pessoas envolvidas. A partir daí, chegamos a uma tese:

TESE: A imprensa não pode ser leviana quando denuncia casos de corrupção.

Façamos a pergunta à tese:

Por que a imprensa não pode ser leviana quando denuncia casos de corrupção?

As respostas serão os argumentos:

Porque...

ARG. 1: A denúncia da imprensa é o instrumento mais importante de que dispõe a democracia para combater a corrupção e saber o que acontece por trás dos bastidores.

ARG. 2: A sociedade precisa ter acesso a fatos que convençam.

ARG. 3: A corrupção não pode tornar-se mais uma distração para os brasileiros.

Com uma conjunção conclusiva após cada um dos argumentos, retomamos no parágrafo conclusivo o que dissemos no inicial, amarrando o texto.

Por isso...

CONCLUSÃO: A imprensa deve apresentar a denúncia com o máximo possível de provas.

J Nesse esquema, nada está fora do lugar, pois todas as suas partes ordenam-se com perfeição. Os argumentos convencem e a conclusão a que chegamos está bem ajustada a eles. Esse esquema pode ser estendido à construção argumentativa de qualquer texto. O que pode variar é o número de argumentos.

Exemplo de esquema (II)

TEMA: A miséria.

TESE: É constrangedora a convivência com a miséria.

ARGUMENTO: Ninguém em sã consciência gosta de ver seus semelhantes vivendo precariamente.

CONCLUSÃO: A sociedade deve ser menos passiva diante da miséria.

PRESSUPOSTO


ARGUMENTO 1 + ARGUMENTO 2 + ARGUMENTO 3


CONCLUSÃO

Aula 4: Planejar – esquema de redação para concurso, do tipo dissertativo-argumentativa.

J Difícil escrever bem se não há um roteiro. Ele determina a estrutura e o conteúdo do texto e, sem ele, sua redação corre o risco de virar uma embolada sem sentido ou uma discussão que não sai do lugar.

Veja um exemplo de planejamento:

TEMA: A cobertura de casos violentos pela mídia televisiva.

PALAVRAS-CHAVE: televisão e violência. (assunto)

TESE ou PRESSUPOSTO: A televisão banaliza a violência ao transmitir casos de maneira sensacionalista e irresponsável.

ARGUMENTO 1:

Idéia principal: Expor casos violentos como se fossem histórias de ficção policial, com excesso de técnicas narrativas, é fazê-lo de maneira sensacionalista, tornando a violência um espetáculo público. (tópico frasal)

Idéias secundárias: Exemplos como o programa de TV Linha Direta. Casos como o assassinato da adolescente Eloá Pimentel e o seqüestro do Ônibus 174. Potencialização do comportamento agressivo do público, que vê o malfeitor como uma espécie de astro de um seriado policial.

ARGUMENTO 2:

Idéia principal: A mídia televisiva também erra ao colocar-se como júri, acusando ou defendendo suspeitos de modo precipitado e irresponsável. (tópico frasal)

Idéias secundárias: Caso da Escola Base. Os veículos de comunicação social têm plena liberdade de informação jornalística, porém, ao julgar acusados como culpados ou inocentes, a TV ultrapassa limites e mostra-se antiética.

CONCLUSÃO: As emissoras de TV devem ser testemunhas da violência real que ameaça a todos nós, porém de maneira ética e comprometida, respeitando os direitos humanos.

J Elaborado o planejamento, você já tem um bom esqueleto da redação! Mas lembre-se: isso é um planejamento e, como tal, pode ser modificado de acordo com suas necessidades e seus objetivos.

O direcionamento do tema é sempre produto de uma escolha. Pense de antemão que caminho você pretende tomar, para onde quer conduzir sua argumentação. Para isso, é preciso ter uma posição definida em relação ao assunto, criar uma tese (ou pressuposto) a partir da qual você vai encaminhá-lo, a fim de deixar bem claro seu ponto de vista.

Um bom planejamento é fundamental para a produção de um texto eficiente! Por isso, treine! Tenha idéias antes de escrever. Pensar vem sempre antes de escrever.

Determinação da tese

Encontre as palavras-chave do tema: qual é o assunto abordado? Formule mentalmente um pensamento sobre o assunto antes de começar o trabalho de redação propriamente dito. Esse pensamento chegará a partir das análises que você fará da realidade que o cerca, dos seus valores, do modo como enxerga e relaciona os fatos, do seu conhecimento de mundo. Sendo assim, escrever uma tese eficiente só dependerá de você.

A tese tem que ser expressa com clareza e dar margem a questionamentos. Ela é uma espécie de “idéia fixa” que o acompanhará do princípio ao fim do texto. Se você parte de uma tese fraca, que não suscite questões, sua redação dificilmente terá qualidade.

Detecção de argumentos

Pergunte por quê? ou como? à sua tese. As respostas serão seus argumentos, e cada uma delas servirá de base para a construção dos parágrafos.

Nossa capacidade de convencer o leitor depende da ordenação e da força de nossos argumentos. As melhores idéias se perdem se usarmos argumentos fracos ou se não soubermos ligá-los. O encaminhamento do texto, fundado nos argumentos, revela ao mesmo tempo nossa capacidade de criação, avaliação e crítica. Nosso discurso deve passar ao leitor determinados questionamentos, observações e conclusões sobre o tema.

Sustentação de argumentos

1. Argumentos de valor universal: aqueles que dão pouca ou nenhuma margem à refutação. Por exemplo: Sem resolver os problemas da família não se resolvem os das crianças de rua. Evite afirmações baseadas em emoções, sentimentos, preconceitos, crenças (especialmente as religiosas), porque são argumentos muito pessoais. Podem convencer algumas pessoas, mas não todas.

2. Dados colhidos na realidade: as informações têm de ser exatas e de conhecimento geral. Tornam-se mais confiáveis quando você expõe a fonte. Por exemplo: De acordo com pesquisas do IBGE, (...); Foi recentemente matéria de capa da revista Veja um caso (...).

3. Citações de autoridades: Ler revistas e jornais ajuda muito. Lembre-se: o povo não é autoridade! Então, só use ditados populares se tiver experiência na escrita e souber bem como fazê-lo. Ditados populares não servem como argumento! Tenha cuidado também com a confusão entre autores de frases célebres. Se há dúvida sobre o autor, prefira algo do tipo: “Só sei que nada sei” — nos ensina a antiga máxima filosófica.

4. Exemplos e ilustrações: Recorra a exemplos conhecidos, a fatos que ilustrem.

Exemplo de esquema (I)

Veja o processo de construção de um planejamento:

TEMA: A imprensa e a denúncia dos casos de corrupção.

PALAVRAS-CHAVE: imprensa e corrupção.

Pensando sobre o tema, lembramos os noticiários dos jornais, da TV e do rádio sobre corrupção. Após muito refletir, chegamos à conclusão de que não estava havendo muita seriedade por parte da imprensa em suas denúncias, pois nem todas eram comprovadas. Muitas pareciam brincadeira porque, com o tempo, ninguém era capaz de trazer provas concretas que incriminassem as pessoas envolvidas. A partir daí, chegamos a uma tese:

TESE: A imprensa não pode ser leviana quando denuncia casos de corrupção.

Façamos a pergunta à tese:

Por que a imprensa não pode ser leviana quando denuncia casos de corrupção?

As respostas serão os argumentos:

Porque...

ARG. 1: A denúncia da imprensa é o instrumento mais importante de que dispõe a democracia para combater a corrupção e saber o que acontece por trás dos bastidores.

ARG. 2: A sociedade precisa ter acesso a fatos que convençam.

ARG. 3: A corrupção não pode tornar-se mais uma distração para os brasileiros.

Com uma conjunção conclusiva após cada um dos argumentos, retomamos no parágrafo conclusivo o que dissemos no inicial, amarrando o texto.

Por isso...

CONCLUSÃO: A imprensa deve apresentar a denúncia com o máximo possível de provas.

J Nesse esquema, nada está fora do lugar, pois todas as suas partes ordenam-se com perfeição. Os argumentos convencem e a conclusão a que chegamos está bem ajustada a eles. Esse esquema pode ser estendido à construção argumentativa de qualquer texto. O que pode variar é o número de argumentos.

Exemplo de esquema (II)

TEMA: A miséria.

TESE: É constrangedora a convivência com a miséria.

ARGUMENTO: Ninguém em sã consciência gosta de ver seus semelhantes vivendo precariamente.

CONCLUSÃO: A sociedade deve ser menos passiva diante da miséria.

PRESSUPOSTO


ARGUMENTO 1 + ARGUMENTO 2 + ARGUMENTO 3


CONCLUSÃO

Proposta de redação: Cobertura televisiva de fatos violentos.

PROPOSTA PARA DISSERTAÇÃO

1. Leia com atenção e confronte os textos seguintes:

Texto I

Há programas de TV que se dedicam de modo especial à cobertura jornalística de fatos violentos. Em transmissão direta, tais reportagens fazem o que podem para flagrar todos os detalhes da ação dos criminosos, do comportamento das vítimas, da operação policial, das expectativas dos curiosos que a tudo acompanham. Com isso, alimentam a violência, tornando-a um espetáculo público e fazendo do malfeitor uma espécie de astro de seriado policial – o que só incentiva o surgimento de novas ações criminosas.

Texto II

Os que censuram as transmissões ao vivo de ocorrências policiais, a que não faltam ingredientes violentos ou mesmo trágicos, parecem responsabilizar a cobertura jornalística pela violência que ela está apenas documentando. A obrigação das emissoras de TV é mostrar o que ocorre, informar os cidadãos, testemunhar a violência real que nos ameaça a todos. O combate a essa violência é da alçada das autoridades policiais, e não dos meios de comunicação de massa.

2. Tendo em vista as posições assumidas nos textos I e II, desenvolva uma DISSERTAÇÃO em prosa, discutindo, com argumentos, a divergência entre eles.

3. Sua redação deverá ter no mínimo 20 e no máximo 30 linhas, considerando-se letra de tamanho

regular.

(Universidade Federal de Sergipe, Processo Seletivo 2009)


Essa é uma proposta de tema para o processo seletivo da UFSE. Conforme vimos em nossas aulas, antes de escrever é preciso planejar. Então, o nosso primeiro exercício será o de criar um planejamento adequado ao posterior desenvolvimento desse tema. Utilize o esquema abaixo e mãos à obra! J

TESE:

___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

ARGUMENTO 1:

___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

ARGUMENTO 2:

___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

ARGUMENTO 3 ou CONTRA-ARGUMENTO: (opcional)

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

CONCLUSÃO:

_____________________________________________________________________________________________

Aula 3: Passos para construir sua redação.

Há um processo na construção de um texto. Não é apenas sentar na cadeira, pegar a caneta e despejar palavras no papel, como se elas viessem de uma entidade sobrenatural!

A não ser que você tenha o mesmo dom de Chico Xavier, planeje seu texto! Até os escritores mais experientes planejam o que irão escrever. Conheça o que Graciliano Ramos (autor de obras primas da literatura brasileira como “Vidas Secas”, por exemplo) disse sobre o ato de escrever:

Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.

Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.

Passo 1: PLANEJAR

Antes de pôr o lápis no papel, pense. Leia atentamente a proposta e a coletânea. Grife ideias e palavras-chave: não fuja delas em nenhum momento. Verifique se a o tema vem explícito, se apresenta perguntas a serem respondidas, para que direção os textos de apoio o encaminham. A banca do Cespe costuma direcionar a redação, dizendo quais os tipos de enfoques que o candidato deve seguir. Isso é muito bom, pois se torna possível estruturar uma argumentação com cada um daqueles tópicos.

Entendido o tema, faça anotações soltas, independentes. Liste as ideias que lhe vêm à mente sobre o tema: filmes a que você assistiu, livros que você leu, fatos que tiveram destaque na mídia, eventos históricos etc. Então corte e ordene. Selecione entre as ideias que teve quais irão compor sua argumentação.

Agora encaixe o que foi selecionado na triagem inicial dentro deste esquema:

Introdução

Contexto (tema) + tese + seu ponto de vista.

Desenvolvimento

Argumentos (2 ou 3) que respondem ao POR QUÊ? e ao COMO? feitos à sua tese.

Conclusão

Retomada do pretexto inicial. Não é repetição.

Tem que saber o que quer dizer ao leitor. Tem que construir uma tese. Tem que fazer perguntas e encontrar respostas. Tem que organizar as respostas. Tem que determinar os parágrafos. E então é só começar a escrever.

Atenção: Essa tabela é um guia, não uma prisão!

Passo 2: ESCREVER

Só então a caneta chega ao papel. Siga o seu planejamento.

Passo 3: REVISAR

Revisar não é passar a limpo, é reescrever. Esse trabalho começa pela detecção do que há para ser refeito, trocado ou reordenado a fim de que o texto inicial melhore.

J Os passos 2 e 3 — ESCREVER e REVISAR — serão abordados detalhadamente nas próximas apostilas.


¨ Quer saber mais?

www.algosobre.com.br/redacao

Caderno de dicas elaborado pelo professor de redação Márcio André.

Aula 2: Critérios de Avaliação da Fundação Carlos Chagas (FCC).

Podemos afirmar que os critérios de avaliação de uma redação para vestibular/concurso são basicamente os mesmos. Há poucas variações de acordo com a banca examinadora de cada instituição.

A Fundação Carlos Chagas — que realiza o processo seletivo da UFSE —, por exemplo, expõe claramente no edital seus parâmetros de correção para uma prova discursiva. Já na correção da prova, opta por informações vagas sobre as falhas cometidas pelo candidato. Seus avaliadores, em alguns casos, restringem-se a comentar com certo tecnicismo e pouca informação o porquê das punições de cinco em cinco (pontos) num total de 100.

TEMA: Normalmente ela gosta de pequenas frases ou trechos de textos, em geral, filosóficos. Costuma apresentar situações abstratas, relacionadas intimamente com a condição humana. Ética, cidadania, justiça, vaidade e ambição, por exemplo, já motivaram diversos temas da banca.

TAMANHO DO TEXTO: entre 20 e 30 linhas.

DIVISÃO DOS PONTOS ATRIBUÍDOS: um total de 100 pontos que são divididos em duas áreas:

Estrutura e conteúdo: 50 pontos;

Expressão: 50 pontos.

Os pontos recaem igualmente sobre o conteúdo e a estrutura gramatical do texto. Então, tenha cuidado com os pequenos deslizes gramaticais — eles podem significar perdas graves na pontuação. Revise com calma o seu texto.

Estrutura e Conteúdo (Macroestrutura textual)

Como o candidato abordou o tema.

O domínio dos modos textuais – dissertação, narração e descrição.

Organização de parágrafos, distribuição de assuntos, ordem direta dos períodos, a legibilidade do texto, o tamanho dos parágrafos, margens etc.

Expressão (Microestrutura textual)

Correção de aspectos pertinentes à adequação vocabular e à gramática – concordância, regência, colocação pronominal, pontuação, grafia etc.

Para o vestibular da UFSE, há especificamente a seguinte tábua de correção, além de uma pequena lista dos problemas encontrados com mais freqüência:

COESÃO (3,0)

Encadeamento sintático (entre frases e entre parágrafos)

Encadeamento semântico (idem)

ü Uso adequado dos conectivos

ü Paralelismo

Problemas encontrados com mais freqüência

Períodos longos (faça frases com cerca de 2 linhas cada)

· Conectivos com relações de sentido equivocadas (ocorre muito com o uso de conjunções as adversativas, explicativas e conclusivas)

· Redundância gerada pela repetição de palavras decorrentes da pobreza vocabular e/ou desconhecimento de outros mecanismos de retomada (elipse, sinonímia, uso de pronomes etc.)

· Ambigüidade devido ao uso inadequado de alguns pronomes e/ou à pontuação imprópria

Quebra do paralelismo, tanto sintático quanto semântico: “a diferença entre os alunos e as cadeiras é muito grande” ao invés de “a diferença entre o número de alunos e cadeiras é muito grande”

Digressões (fuga parcial do tema, geralmente com discussão de temas transversais) etc.

COERÊNCIA (3,0)

Lógica e sentido

Argumentação (já que o texto pedido trata-se de uma argumentação)

Focalização

Relevância

Problemas encontrados com mais freqüência

Argumentação inconsistente e/ou superficial

Falta de criticidade

Fuga parcial do tema

Erro de focalização (delimitar o assunto e estabelecer uma tese) / interpretação equivocada do tema

Exemplificação inadequada

Nível de informatividade baixo: ausência de citações, alusões, analogias, exemplificações, dados e informações

Contradição

Ausência de defesa de tese

Pouca progressão das idéias

Subjetividade (uso da 1ª pessoa, exemplos tirados da vida pessoal, crenças, adjetivos com alta carga opinativa, e principalmente a tentativa de diálogo direto com o leitor (uso de “você”) etc.

EXPRESSÃO (4,0)

Correção gramatical: ortografia, acentuação, concordância, regência, colocação pronominal, uso dos demonstrativos etc.

Linguagem adequada: variedade urbana de prestígio (norma culta)

Clareza: palavras essenciais e simples, concisão

Fluência

Ordem direta

Aspecto gráfico: letra legível, rasuras, respeito às margens.

Problemas encontrados com mais freqüência

Incorreção gramatical

Uso de lugares-comuns e clichês (ex.: “no mundo em que vivemos”)

Interferência da oralidade (ex.: “é claro que”)

Expressão confusa

Uso de palavras e expressões desnecessárias etc.

Redação Nota 10,0

Em meio a escândalos de corrupção na política e surtos de violência nas grandes cidades, o brasileiro pode se ver perdido ou refletir sobre a ética nacional e não encontrar a imagem dela. Pesquisas indicam o Brasil como um dos países onde há mais corrupção no governo, aproximando-o de Estados ditatoriais e anti-democráticos. Porém, é importante frisar que o governo brasileiro representa a maior parte de seu povo, o que leva à discussão ao campo da consciência individual.

O que nós, seres humanos, aprendemos com nossas atitudes determina nossa crescimento. Nas mais simples delas é possível perceber onde estão a ética, o bom senso e a boa ação. Respeitar os lugares reservados aos idosos, deficientes e gestantes, não jogar lixo em local indevido, doar roupas que nem usamos mais a pessoas que realmente necessitam delas são exemplos pequenos do que é possível fazer para contribuir com uma nação correta. E o altruísmo não precisa existir, pois é mais bela a alegria de ajudar o próximo, de demonstrar amos aos Brasil e a seus habitantes.

Há duas posições perante a falta de ética: aceitá-la ou não, torná-la justificável ou não admitir que a desonestidade sirva de meio para conquistas e seja modelo para gerações futuras. Falta de ética causa desigualdade, e esta traz ressentimento e lutas entre seres que se equivalem na condição humana. No Brasil, a disparidade social é absurda e mancha a imagem da nação.

A crise de ética nacional pode ser solucionada atrases da educação. Nunca apenas a educação nas salas de aula, mas presente em cada canto do Brasil. Os ensinamentos sobre os diretos do ser humano, a igualdade entre os homens e o respeito à vida constituem a herança mais valiosa que um povo pode ter. Não estamos ilhados por defender um Brasil honesto; pelo contrário, cada cidadão disposto a fazer o certo pelo bem de seu país é uma gota em um rio caudaloso e extenso que pode lavar “o espírito brasileiro”.


¨ Quer saber mais?

MANUAL DO CANDIDATO do PSS da Universidade Federal de Sergipe.

Coesão e coerência textuais. Leonor Lopes Fávero. Ática, 2001.

A coerência textual. Ingedore Villaça Koch & Luiz Carlos Travaglia. Contexto, 2006.

Oficina de Redação. Leila Lauar Sarmento. Moderna, 2006.

Aula 1: Redação para Enem, vestibulares e outros concursos.

J Dispense o desespero, não há motivo para tal. Escrever uma boa redação para vestibular/concurso não é tarefa extraterrena. Você pode conseguir fazer um bom texto se frequentar nossas aulas e exercitar em casa.

Para que isso seja possível, é preciso entender o que é a redação de vestibular/concurso, por que ela é pedida como critério de seleção para o ingresso ao ensino superior ou a instituições públicas, por quem ela será lida e avaliada, e como ela deve ser escrita.

O que é?

Alguns candidatos até reclamam que ainda não sabem escrever uma redação com qualidade, porém muitos — ou todos — têm uma boa noção do que ela é. E você, o que sabe sobre redação de vestibular/concurso?

Primeiramente, não podemos nos esquecer de que esse gênero textual surge no contexto escolar e somente depois figura como critério de seleção de concursos (como o vestibular, por exemplo). Grande parte deles solicita que o candidato disserte em sua prova de redação.

A nomenclatura dissertação é um pouco equivocada, no entanto. Na verdade, o que realmente se espera do aluno é que ele produza um texto argumentativo ou dissertativo-argumentativo.

Explicamos: A dissertação tem como objetivo explorar certo assunto, explicá-lo, sem, no entanto, incluir um posicionamento ou opinião. Já a argumentação, contrariamente à dissertação, visa convencer o leitor da validade de sua tese, das suas ideias. Inclui a explicação, mas o objetivo da argumentação é, sobretudo, o de persuadir o leitor de que sua opinião sobre determinado assunto é coerente e convincente. É preciso emitir um ponto de vista e defendê-lo.

Sendo assim, chegamos à conclusão que a redação para vestibular/concurso é de caráter opinativo. Ou seja, nela aparecerá uma parte de você e do que pensa sobre o mundo, seus conhecimentos e sua capacidade de julgar e apreciar os acontecimentos. “Escrevo para construir minha própria identidade” — asseverou o escritor e religioso Frei Betto.

Para que é?

Escrever, hoje, é uma necessidade para muitos profissionais e também para estudantes que se vêem às portas da universidade. Num mundo cercado de informações, a capacidade de organizar as ideias por escrito é cada vez mais uma exigência do mercado de trabalho. Além disso, o texto argumentativo-dissertativo é indicador do grau de amadurecimento intelectual daquele que pretende ingressar no ensino superior ou candidatar-se a um cargo — já disse o filósofo da linguagem Wittgenstein: “Os limites da minha linguagem são também os limites do meu pensamento”.

Mais do que o domínio da variedade urbana de prestígio (norma culta), a redação procura avaliar se você está envolvido com os problemas do mundo em que vive, se tem sensibilidade social, preocupação ética, hábito de reflexão, capacidade de usar os conhecimentos adquiridos em favor da coletividade, se sabe usar a linguagem para fazer-se entender e para convencer o outro.

A redação dissertativo-argumentativa serve também para que você demonstre autonomia de raciocínio, para que explore seus conhecimentos. Portanto, ao escrever, explore ideias próprias, fuja do óbvio, do lugar-comum.

Para quem é?

Ter em mente uma nítida imagem de quem será seu leitor é condição central na produção de qualquer texto.

Cada instituição adota critérios distintos para avaliar os candidatos. Boa parte dos critérios, no entanto, é comum a várias bancas do país.

As bancas de hoje gostam de ousadia, mas você deve ousar sem sair da proposta feita pelo enunciado. Por princípio, os avaliadores procuram valorizar mais as qualidades do que os defeitos das redações. Quem vai além do senso-comum mostra marcas de autoria e já está um passo à frente. Não deixe de usar dados e fatos reais que circulam na mídia para provar seus argumentos. Fazer analogias, usar metáforas e comparações maduras em seu texto é uma boa pedida. Mostrar conhecimento de mundo através de citações — bem contextualizadas — do campo da filosofia, da mitologia, da literatura e do cinema, por exemplo, enriquece sua argumentação.

Quanto à correção gramatical, ela é vista como necessária, mas não suficiente. Antes, era considerado um bom texto aquele que se apresentava de acordo com a variedade urbana de prestígio; a capacidade persuasiva não recebia a devida importância. Hoje, um bom texto é aquele em que o candidato mostra boa capacidade de pensar e de expressar-se, em que se preocupa tanto com forma quanto com o conteúdo.

J Ingredientes para um bom desempenho:

1) Obediência estrita ao gênero (a redação pedida costuma ser do tipo dissertativo-argumentativo);

2) Obediência estrita ao tema (assunto: aspecto mais amplo; tema: aspecto mais parcial do assunto, recorte);

3) Discurso na variedade urbana de prestígio (norma culta);

4) Texto coeso, resultado de um planejamento cuidadoso.

L Erros mais condenados pelas bancas:

1) Letra ruim ou ilegível;

2) Fuga ao gênero proposto (há textos que são predominantemente dissertativos quando deveriam ser predominantemente argumentativos; outros que mais parecem crônicas jornalísticas ou narrativas históricas, por exemplo);

3) Redações “camicase”, que tentam obter extremo sucesso com o risco do extremo fracasso: redações em verso, jogos visuais com palavras ou frases, piadinhas, desenhos etc.

4) Colagem de textos da coletânea. É permitido “compartilhar” opiniões e informações neles contidas, citar trechos, porém copiar é proibido! Reescreva o que leu com suas palavras — ou seja, faça paráfrases.

Como é?

Em sua maioria, as redações solicitadas para concurso/vestibular são do tipo dissertativo-argumentativo. São obtidas a partir de um tema (aspecto mais parcial) oferecido, que é um recorte sobre um determinado assunto (aspecto mais amplo). Por exemplo, no Processo Seletivo 2010, a Universidade Federal de Sergipe teve como assunto a água. O recorte temático (tema) foi a necessária preocupação com o uso correto da água doce existente no Brasil, a fim de preservar as condições futuras de vida.

Em sua redação, você deve defender ideias, questionar fatos, oferecer seu ponto de vista sobre circunstâncias, ações e acontecimentos relacionados ao tema. Os argumentos devem estar ordenados de tal forma que alcancem o leitor e o façam considerar a verdade que ali se expõe e se tenta comprovar.

Comumente são dadas ao candidato de 20 a 30 linhas para escrever seu texto, que deve ser composto pelo conhecido e eficiente esquema: Introdução (onde constará sua tese), Desenvolvimento (parte maior e mais significativa do texto opinativo) e Conclusão (reafirmação da sua tese).

É equivocada a ideia de que quanto menos se escreve menos se erra. O peso do erro depende da quantidade de linhas escritas.


¨ Quer saber mais?

Texto & Interação. William Roberto Cereja & Thereza Cochar Magalhães. Atual, 2005.

Redação: Ensino Médio, livro 2. Sistema de Ensino Poliedro, por Esther Pereira Silveira Rosado. 1ª edição. 2010.

Redação linha a linha. Thaís Nicoleti de Camargo. Publifolha, 2004.

Revista Língua Portuguesa: Especial Redação. Editora Segmento, outubro de 2008.